Ponto Cartesiano
14 Fev 2018 - 08h43m

Balas de borracha e spray de pimenta contra injusta agressão de arma letal: alegria e cerveja!!! É, faz sentido!!!O carnaval nas eleições!!!!

O bom senso indica que onde houver imóveis residenciais, bares devem cumprir a lei quanto à questão do volume de som. Existem horários. A liberdade e o direito de um, como é notório, terminam no direito do outro. O episódio da Polícia Militar com foliões no carnaval da Capital, com efeito, provoca diversas reflexões acerca da vontade da autoridade política e pública no tratamento da situação.

Nas quadras residenciais de Palmas o comércio de bares (fora ações policiais e  municipais esporádicas)  funciona à revelia dos moradores 365 dias no ano. Muitos deles tem autorização da prefeitura e do governo para funcionar (é necessário vistoria da PM/Bombeiros também).

Só são incomodados apenas quando algum desses guardiães da lei decide por cumprir sua obrigação. Sem balas de borracha, claro. Não raro, forçado por chefes acionados por políticos e empresários influentes barrados no seu sono constitucional. Já imaginou PMs com balas de borracha e spray de pimenta mandando ver nos botecos da 204 Sul, o nosso “Jardins paulistano”!!!! Ou ali na Arse 51!!!!

No episódio do final de semana, a justificativa foi a falta de autorização legal para a população brincar em espaço público e que estaria incomodando os moradores (uma quadra comercial onde a prefeitura e vereadores autorizaram prédios multifamiliares o que indicaria quem estaria fora do lugar).

Ademais, se equipara a uma piada PMs informarem que atiraram nos foliões para “fazer cessar a injusta agressão sofrida”. Não se tem conhecimento de folião atirando em polícia o que inverte as obrigações.Estavam armados de cerveja...Não estavam trabalhando como os policiais.

Evidente que uma explicação até mesmo manca porque o tal Carnaval da Fé estava sendo realizado também ao lado de quadras residenciais e não se viu a mesma ação por lá. E com volume de som centenas de decibéis mais alto. Bancado pelo poder público, pelo bolso de contribuintes como os foliões atingidos e que também pagam os salários dos policiais para lhes dar segurança.Brincando em área comercial.

O que dizer, ainda, do carnaval público (ou queima de fogos de final de ano) também na beira do lago!!! Não houve balas de borracha ou spray de pimenta. Ou seja, o problema era mais político (autorização) que técnico (o alto volume do som ou interdição de via). Se tivessem autorização, não seriam os foliões atirados!!!! E o teriam porque certamente o poder público seria confrontado com a questão: carnaval da fé e carnaval de rua, quadras residenciais e sons no mesmo contexto.

Uma temeridade a ação da PM que poderia ter resultado em problemas mais graves. Não é desconhecida a falta de preparo de grande parcela de policiais que estão aí nas ruas armados. Os casos de exageros com resultado em óbitos são recorrentes.

Do outro lado estavam pessoas se divertindo e sob efeito de bebida alcoólica o que exigiria dos policiais (que são pagos para isso) equilíbrio e não exagero. Poderia ocorrer de um folião colocar a mão no bolso e o polícial entender que estivesse armado. A justificativa para uma reação e óbito era só copiar e colar de casos recorrentes, como é notório no tal "injusta agressão".

Faltou bom senso à autoridade que autorizou a PM disparar balas de borracha e spray de pimenta em pessoas que apenas não tiveram a mesma atenção do poder público na organização do seu carnaval, direcionada há alguns anos para o populismo religioso e eleitoral.

Agora é evidente que mesmo a Polícia Militar sendo de competência do governo a ação causou prejuízos políticos ao carnaval da cidade que é organizado pela prefeitura. De outro modo: a suposta insegurança e bagunça seria municipal e estaria exigindo uma ação estadual. Daí a confusão gerada nas pessoas que observaram, a priori, estar ali um comando do Executivo municipal e não do Palácio Araguaia.

Como se nota, não é implausível que a ação possa ter sido impulsionada por esta percepção. Na PM, o histórico de envolvimento de policiais e comandantes em política partidária em ano eleitoral não é desconhecido.

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3 Comentário(s)

  • Renata Saara | 14/02/2018 | 12:05Eu morada da 104 Sul há 10 anos apóio o carnaval de rua, o que não dar para apoiar é a ausência de politicas públicas de Lazer e Cultura que atenda a diversidade do mundo contemporâneo. Sobre barulho, sujeira e confusão, o Bharma funcionou durante anos com muito barulho até 5 horas da manhã e que eu tenha notícia nunca houve bala de borracha por lá.
  • Rubens barboza | 14/02/2018 | 11:09Se o barulho fosse na sua área residencial e constante queria ver você defender baderna
  • Wertemberg Nunes | 14/02/2018 | 10:17Muito bem oportuno o seu comentário. A Prefeitura age como se fosse o "seu evento" o único permitido acontecer e merecer atendimento. Como se os recursos disponíveis a Prefeitura não fossem de todos. O prefeito foi postulado a ser por um grupo mas ao ganhar tem a obrigação de atender a todos e não somente ao qeu um grupo de notáveis denominados de "conselho de desenvolvimento" decidiram pra cidade. Caberia então cada evento estar de acordo com o código de posturas decidido pela câmara de vereadores. alem disso a policia não pode dar cobertura ao oficial e ignorar cidadãos em outras atividades como se fossem inimigos. em Taquaruçu a praça nem iluminação tinha nos dias de carnaval. Um cidadão sob efeito de qualquer substancia que o tira do seu normal deve ser tratado como caso de saúde e social e não policial, sem contar que o policial é profissional e portanto, deveria ter domínio para resolver problemas e não ascender com sprey de pimenta.
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