Ponto Cartesiano
10 Out 2017 - 07h45m

Banqueiros não perdem a viagem: decisão de pagamento de boleto atrasado em qualquer banco aumentará lucro em R$ 72 bilhões anuais

Os bancos não perdem viagem. O consumidor tem visto, ultimamente, por força da propaganda, uma decisão da Febraban como benéfica: boletos atrasados poderão ser pagos em qualquer instituição financeira.

Detalhe que faz a diferença: desde que seja cadastrado no sistema da Febraban. Contas atrasadas de valores iguais ou acima de R$ 2 mil já podem ser pagas desta forma desde setembro. Boletos abaixo de R$ 2 mil (cujo pagamentos iniciariam ontem) tiveram seu pagamento adiado ontem para 2018.

A alegação do bancos para a implementação das medidas é a diminuição de fraudes. E que boletos vencidos possam ser pagos em qualquer banco.

Evidente que isto tem um custo. E o empresário vai repassá-lo ao consumidor. Denuncia o Conselho Federal e Regionais de Administração que um boleto que custava de R$ 3 a R$ 5, pode passar a R$ 20, como dizia dias atrás a este blog o conselheiro federal de Administração no Estado, Rogério Ramos.

Nas empresas, conforme os administradores, o custo será elevado em 30% (ABComm) já que os bancos podem cobrar taxas para os destinatários dos pagamentos. E olha que a estimativa é de que sejam emitidos cerca de 3,6 bilhões de boletos por ano no país.

A mudança da Febraban (com a justificativa de beneficiar o consumidor) cria taxas de registro, liquidação, permanência e baixa do boleto. Isto com juros e multas. Além do mais, todos os dados cadastrais do emissor e do pagador poderão ser apropriados pelas instituições financeiras sem o seu consentimento.

Hoje, conforme o CFA, 100% do comércio eletrônico trabalha com boleto sem o registro que a Febraban está implantando. O custo para o comerciante deve passar (estimativas) de R$ 650 mil para R$ 2,6 milhões ao ano. Que será repassado, lógico, ao consumidor.

Com essa tacada aí, os bancos devem faturar cerca de R$ 72 bilhões ao ano. As empresas (ainda conforme o Conselho de Administração) terão um prejuízo de R$ 36 bilhões com a emissão dos boletos que não são pagos (50% deles). Grana que irá para os bancos.

Isto aí tudo a Febraban faz com o consentimento de deputados federais e senadores. E, lógico, seguindo o modelo liberal/capitalista do governo federal que aprova um negócio desses. Em detrimento da população. Segue, na verdade, o mesmo viés da reforma trabalhista, previdenciária e do arrocho no trabalhador. Uma legião de 13 milhões de desempregados, mesmo com economia em alta, juros em queda e inflação em baixa por força do não consumo. Recessão braba tratada como crescimento econômico

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