Ponto Cartesiano
09 Ago 2017 - 00h07m

Camionete alugada por R$ 4 milhões ao ano. Ou R$ 1,2 milhão a mais que o reajuste do lixo!! E meta de 87% nos remédios!! Salve Deus os outros 13%!

Caros, como vocês sabem, estou em minha romaria anual. Caminhei ontem 60 km e devo fazer nesta quinta mais 60 km. Espero pernoitar em Silvanópolis. Metade dos 243 km a que me propus vencer até o Santuário do Nosso Senhor do Bonfim que, certamente, me dará indulgência, por achar-me merecedor deixá-lo por instantes. Mas necessário.

Depois de ler que empresários da Capital tivessem,ontem, elogiado (pela segunda vez em menos de um mês)  o Governador do Estado (devidamente paramentado de profissional da saúde no inferno do HGP, com gravações de imagens para campanhas publicitárias e eleitoral) por defender uma meta de 87% de estoque de remédios (e não 100%) ou de garantia de pagamento de servidores no 11º dia (uma obrigação legal), ainda que tenha deixado de pagar aos fornecedores/prestadores de serviço 2,4 bilhões no primeiro semestre.

No mesmo dia em que se tem oficial (por declarações de integrante do primeiro escalão do governo) de que o Palácio Araguaia já deve R$ 1 bilhão ao Igeprev, R$ 354 milhões só de contribuição patronal obrigatória) e que o governo pode cortar apenas R$ 5 milhões de gastos. Não dá outra: me tirem o tubo!!!!

Mais: leio que os “homens do prefeito” (secretários da prefeitura) teriam se deslocado a Brasília ano horário de expediente e em de trabalho comum, uma quarta-feira) para operarem contra a PEC (que proíbe estrangeiros de serem governadores e senadores no país) – que teve juízo de admissibiliddade na CCJ da Câmara dos Deputados - mesmo com o prefeito Carlos Amastha declarando que não é candidato ao governo, deitando ripa nos políticos por anteciparem a campanha e dizendo que sua prioridade é administrar a prefeitura de Palmas!!! Sou levado a crer que os “os homens” do prefeito estariam traindo “o prefeito”. Ou haveria um projeto correndo risco mesmo não havendo oficialmente um projeto. 

O leitor sabe o que o blog pensa da PEC: é terminantemente contra por achar xenófoba, casuística e anti-democrática para a dimensão da política e da democracia brasileira. Ainda que respeite a autonomia do Congresso para apreciá-la e, por sua competência, até mesmo aprová-la. Entretanto, como o prefeito Carlos Amastha não quer se candidatar (diz que não é candidato) é assunto que, em tese, pouco nos interessaria. por enquanto, mesmo que exista um movimento levando a crer que a tal PEC o  tivesse (Amastha) como razão. Ou seja: o Congresso brasileiro, de 27 unidades de uma Federação republicana se ocupando do prefeito de uma cidade de menos de 300 mil habitantes. Deve ser uma variação do tal Palmas para o mundo.

A mesma prefeitura que é denunciada no mesmo dia pelo Tribunal de Contas do Estado por estar pagando pelo aluguel mensal de duas camionetes (e não refuta a verdade colocada) o equivalente a R$ 338 mil. Ou seja: R$ 4 milhões/ano por locação de dois veículos. De outro modo: Carlos Amastha estaria pagando pelo aluguel de dois veículos (conforme o TCE) por ano o mesmo valor da arrecadação anual com a coleta de lixo da cidade (R$ 3,8 milhões) e que a prefeitura reajustou em 75% no recesso parlamentar de julho, argumentando registrar um déficit no serviço de R$ 7 milhões (diferença entre o que paga e o que recolheria (R$ 11 milhões -  R$ 3,8 milhões). Amastha estaria torrando com aluguéis de dois veículos (R$ 4 milhões) - 57% do déficit com coleta de lixo - o mesmo que cerca de R$ 1,2 milhão a mais que o valor a ser auferido com o aumento de 75% da taxa de coleta de lixo (R$ 2,8 milhões).

Quer dizer: Amastha além de aumentar o imposto, elevou também o gasto e o déficit, anulando o esforço tributário a que obrigou o morador da cidade. 

Nosso Senhor do Bonfim valei-nos. Se considerarmos que Palmas é a Capital que possui a maior carga tributária na região Norte do país. Seus moradores (pelos orçamentos publicados) pagam R$ 725,3 per capita de impostos  municipais na cidade (receita tributária/2017 de R$ 203 milhões/279 mil habitantes. É a Capital com maior orçamento per capita por habitante/ano: R$ 4.645 (R$ 1,3 bilhão/279 mil moradores).

Para se ter uma idéia, a segunda mais cara é Belém, cidade onde os belenenses pagam R$ 521,5 por ano de impostos municipais. E a mais barata é Rio Branco, com R$ 182,00/ano por morador. O palmense assim paga de impostos por ano o equivalente a quatro vezes a carga tributária de Rio Branco (AC) que tem 402  mil moradores, contra os 279 mil que o IBGE registra em Palmas. Ou seja: Palmas tem uma população 30% menor e impostos 86% mais elevados.

Mas tanto Amastha como Marcelo Miranda não são candidatos Governador, como dizem. E os empresários os aplaudem pelo desempenho. Enquanto outros os veem em céu de brigadeiro. Ou, quando não, acham que o merecem pelo trabalho que desenvolvem. E eles acreditam!!! Por que não?

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