Ponto Cartesiano
07 Fev 2018 - 09h49m

Carga contra o prefeito vai exigir que Amastha, para disputar o governo, controle o Amastha que carrega dentro de si nos próximos 60 dias

O prefeito Carlos Amastha vivendo o papel da Geni: todo mundo jogando-lhe pedras. Óbvio que o recrudescimento das críticas que lhe são feitas decorre do seu histrionismo e da incapacidade, até aqui, de entender a administração pública e a política. Ainda que, como todo neófito nas duas questões, entenda ser PHD no assunto.

Num país que passou por 30 anos de ditadura em que os administradores podiam fazer o que lhes desse na telha, tanto com recursos públicos como com direitos individuais e coletivos (ele próprio um dos conhecedores do assunto já que a Colômbia passou por processos arbitrários semelhantes) seria previsível uma reação, ainda que não imediata mas disso derivada.

A argumentação de que tudo se dá por força de sua pretensão eleitoral (legítima) tem menor  grau de convencimento, com efeito, que suas próprias ações mesmo que a elas o prefeito dê o sentido da mais absoluta boa fé e vontade e a isto se conceda crédito.

Era, ademais, perfeitamente projetado que, não contido no ímpeto, Carlos Amastha terminaria formando um conceito, como de fato já se instala, que, mesmo que fizesse bem às contas públicas, na questão fiscal, faria mal ao morador da cidade. E,portanto, à democracia que lhes é muito cara.

Um cidadão vigiado por câmeras 24 horas nas ruas, submetido a uma carga tributária escorchante e com demandas sem o necessário escrutínio da municipalidade que faz de suas próprias intenções, prioridades que a população talvez não as elencasse como suas. Um monólogo travestido de diálogo.

O espectro da oposição que se forma contra o prefeito (e por consequência ao seu projeto político) tem, portanto, a contribuição do próprio Carlos Amastha. E, convenhamos, não é pouca coisa: MPE/TCE/MPF/JF/entidades de classe.

E, agora, a Câmara de Vereadores, diante dos reajustes de taxas e impostos municipais implementados pelo prefeito (com reação da população) e das dúvidas acerca da possibilidade de ter ocorrido desvios públicos no Prevpalmas e no Ises.

Só nestes dois, o envolvimento de recursos da ordem de R$ 80 milhões que tem obtido apoio implícito até mesmo de aliados no Legislativo. Apenas dois dos problemas que enfrenta o prefeito.

É, como se pode deduzir, uma carga suficiente para desidratar (ou balançar) a pretensão de Carlos Amastha (ou de qualquer um que a ela fosse submetido) de disputar o governo. Tudo isto a dois meses do prazo que o prefeito tem para renunciar ao cargo, desincompatibilizando-se para a campanha.

Sua pré-candidatura depende certamente, por tudo isto e mais um pouco, de como Amastha irá administrar os próximos 60 dias. Não deve ser fácil para Amastha controlar o Amastha que carrega dentro de si. Mas é perfeitamente possível.

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1 Comentário(s)

  • Ruan Douglas | 07/02/2018 | 09:41Deus me livre desse homem no governo ai aumentaria IPVA outros impostos do estado como faz com o IPTU escandaloso de 2018 em Palmas, é uma vergonha.
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