Ponto Cartesiano
10 Jan 2018 - 09h34m

Carga do MPE contra Carlesse: de cinco governadores do Estado, três sairam da presidência do Legislativo

É óbvio que a Assembléia Legislativa tem funcionários comissionados em número desproporcional aos efetivos. Uma média de 7,7 contratos políticos para empregado concursado. Seriam 1.713 comissionados para 220 efetivos conforme o Ministério Público.

No Congresso Nacional os comissionados representam 70% dos servidores. Por aqui, os comissionados representariam 88,6% dos funcionários do Legislativo. Uma proporção 26% superior (18,6 pontos percentuais). Uma diferença relevante.

O MPE faz o seu papel ao exigir concurso público, ainda que o pedido tenha pouca possibilidade de encontrar apoio do poder Judiciário. Caso contrário, o STF já teria obrigado o Congresso a reduzir a prática do expediente.

Politicamente, entretanto, embaralha, junto à população, a pretensão de Mauro Carlesse de disputar o governo com o apoio da maioria parlamentar. Justamente os responsáveis pelas contratações dos comissionados. Não só no Legislativo, mas em larga medida no Executivo.

Mauro Carlesse, há menos de ano na presidência, tem responsabilidade menor do que se abstrai, aparentemente, das ações divulgadas pelo Ministério Público. Arrisco até que não teria “nada com o pato” de modo objetivo. Até porque o Legislativo já tem em andamento um concurso público.

De forma que não é sem razão que seus adversários podem ver na questão (com o uso do MPE) janela de oportunidade para fazer uso dos processos e turvar-lhe a mente e a pretensão. Afinal, dos cinco governadores eleitos no Estado (de forma direta ou indireta), três deles saíram do cargo de presidente do Legislativo: Marcelo Miranda, Carlos Gaguim e Sandoval Cardoso.

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1 Comentário(s)

  • Adriana | 10/01/2018 | 10:58Esses parlamentares, por pura hipocrisia, querem dar lição de moral ao Executivo. Os servidores efetivos de todos os poderes, incluindo os comissionados, receberam data base. A Defensoria , que está dentro dos 49% limite com gasto de pessoal do Executivo , tbm teve a desfaçatez de conceder data base aos seus efetivos e comissionados , com a aprovação do Legislativo. O Executivo diz que não concederá aumento nenhum aos seus servidores, como se correção das perdas salariais fossem aumento, mas mantem os quase 25.000 servidores comissionados, contratos. Cargos p fins eleitoreiros indicados pelos próprios parlamentares, amigos, parentes, financiadores de campanha , por aí vai. Todos esses Estados, com problemas financeiros, estão com suas folhas de pagamento lotadas com os famosos cargos comissionados. Ajustes administrativos? Nem pensar. Querem mais é que a população se exploda ,e leve junto, suas demandas.
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