Ponto Cartesiano
08 Ago 2017 - 08h12m

Empresários se agrupam na Fenepalmas por um projeto político: Palmas para o mundo. É o nosso pato da Fiesp!!!

O leitor deste blog tem conhecimento de sua posição acerca do slogan Palmas para o Mundo que a prefeitura pretende transformar num conceito com variação indiscutivelmente política. É até mesmo controverso já que a Capital teria, a priori, como finalidade antes o Estado e seus moradores ao planeta sob qualquer ponto que se observe. Um conceito, assim tomado, megalomaníaco e esquizofrênico.

A Prefeitura iniciou a implantação do conceito com aquele projeto musical – uma ação digna de elogio, diga-se – Palmas para o mundo. Mas que enfrentava discussões: artistas de Palmas e de outros municípios do Estado. Não só da Capital. Ou seja, não era só Palmas para o mundo.

De outro modo, sem prejuízo da mesma megalomania, seria, grosso modo, Tocantins para o mundo. Uma leitura diversa (como se quer) levaria ao raciocínio de que se trataria na verdade do lugar de amplificação (a Capital) e não o produto dela sendo disseminado, dada a mistura dos elementos (Estado/Capital). O que possibilitaria a conclusão de que se está em jogo é um conceito político de amplificação de Palmas e não do seu produto. Política.

O conceito, ao que parece, está se amplificando, ganhando aliados a um ano do processo eleitoral. A Associação Comercial de Palmas realiza de 22 a 26 de agosto a 22ª  Fenepalmas (Feira de Negócios de Palmas). Slogan: “Palmas para o mundo”. O mesmo slogan da Prefeitura da Capital.

É a mesma Acipa que pagou a pesquisa Ibope divulgada na tarde do último sábado (quando Carlos Amastha iniciava pelo Bico sua campanha ao governo) apontando, dentre outros números estatísticos, que a maioria dos eleitores do Estado não o conhece, não lembram do seu nome.

Mas que curiosa (e espantosamente) o escolhem, espontaneamente para Governador do Estado, sem que lhes apresente o seu nome, e em índices superiores ao do Governador e da Senadora que a pesquisa registra serem os mais conhecidos e os mais lembrados

E o mais interessante é que teve analista político a enxergar na sequência de divulgação da pesquisa da Acipa - onde o nome de Carlos Amastha é colocado em todos os cenários (indicado nas perguntas), como uma constante, ao contrário de outros possíveis adversários (Kátia Abreu e Marcelo Miranda) - que os seus adversários é que trabalhariam com vários cenários. Análise disseminada nas redes sociais pelos aliados do prefeito.

Não que empresários não possam ser parceiros do poder público e tampouco não tenham direito de ter suas escolhas políticas. Não podem é, metaforicamente, comportarem-se como freiras em cabarés e querer que os vejam como pios, beatos em defesa de anjos e querubins. Na verdade, os empresários são atravessadores (intermediários), estão entre o consumidor (público) e governo (poder público), recolhem os impostos do consumidor e os repassam aos governos. Não pagam impostos!!! Recolhem impostos a partir dos preços que repassam.

O Palmas para o mundo remete, no limite, como se coloca, na verdade, a um conceito de grandeza cujo elemento é a hegemonia de um projeto político. Nem que para tanto se faça uso de argumentação e fundamentos paradoxais, mais excludentes que includentes de tão transparentes. Nos 22 anos de Fenepalmas (que acompanho desde sua primeira edição) numa tinha visto empresários serem usados política e partidariamente como agora. Empresários para o mundo. Da política-partidária. Nada não diferente do pato da Fiesp contra o governo Dilma e em favor da conspiração de Temer. Democrático. Mas feito no escuro o que, certo modo, diminui-lhe a seriedade e credibilidade.

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