Ponto Cartesiano
19 Abr 2017 - 08h31m

Marcelo recria secretaria política e quer que entendam que quem está pensando nas eleições é a oposição!!! Ele, só no bem-estar da população

O governador Marcelo Miranda decidiu fazer o jogo político das eleições. Ainda que se possa refutar que a prioridade fosse governar (a Administração é isso aí que todo mundo vê) “faz parte”. Ele tem todo o direito de melhorar sua articulação política.

Aliás, tese verbalizada pelo próprio secretário que tomou posse ao dizer que uma das prioridades é aumentar a base política do governo. Ademais, é até aqui “barata voa” porque o governo não tem produto: Marcelo não governa e os serviços públicos, sua obrigação dispor, são uma lástima.

E não por falta de recursos tampouco por malícia da imprensa regional e nacional (que Marcelo criticou ontem deixando, carinhosamente, de lado os que vêem só o seu lado, que apenas o defendem) que propagam tanto as acusações de que é sujeito como a inoperância de seu governo que gasta mal o dinheiro público e ainda torra mais do que arrecada. Isto não é questão de opinião, mas de fato, são números incontestáveis da própria Administração.

Fora um debate filosófico, de cá do balcão teríamos a população buscando a verdade socrática e Marcelo, do outro lado, fazendo uso de argumentos sofistas para justificar a utilidade e inutilidade de maioria de suas decisões. Como essa aí de recriar duas secretarias quando faz contingenciamento até na saúde. Uma delas eminentemente política. Ação – que enfrenta a razão econômica do governo e as próprias turbulências políticas das denúncias que pairam sobre o Chefe do Executivo estadual - que não foram, em absoluto, uma criação da oposição e sim do seu próprio punho.

O que seria, com efeito, recriar uma Secretaria de Articulação Política tendo como causa a necessidade de – nas palavras do próprio Governador  -  “manter a governabilidade, fazer a harmonia entre os poderes” e, lá o finalzinho, “aproximar mais o governo das lideranças políticas”. A um ano e meio das eleições?

Evidentemente que uma articulação entre os poderes, até por questão protocolar e hierárquica, se fosse o caso, deveria ser feita diretamente pelo Chefe do Executivo estadual com os presidentes do Legislativo, Judiciário, TCE, Ministério Público e Defensoria. Ou o Governador aceitou de vez que não governa? Teria repassado o bastão!

Mesmo assim, no Legislativo (onde se encaixa o TCE), ele tem um líder, no Judiciário/MP/Defensoria, em tese, teria a Procuradoria Geral do Estado. A interlocução dos municípios com as secretarias é feita diretamente pelos próprios prefeitos. Sobra aí, então, apenas a cooptação de lideranças. Você já imaginou  o novo Secretário de Articulação Política pedindo audiência com o presidente do Tribunal de Justiça para discutir questões importantes de governo que o Governador deveria fazê-lo? Ou mesmo criando uma nova etapa burocrática entre as secretarias estaduais e os municípios, centralizando ali os pedidos e a vontade política de atendimento?

O Governador poderia ter ficado só nisso. Poderia ser questionado, óbvio, pelo uso da máquina para projetos eleitoreiros e pronto. Mas não ficou: deitou o sarrafo na oposição que estaria já em campanha eleitoral por criticar o seu desempenho, especialmente na saúde onde, em um ano, cerca de 3 mil pessoas morreram nos hospitais públicos do Estado e existe uma lista de mil crianças aguardando cirurgia, pra ficar só nisso. Ele, claro, na sua magnânima intenção, não!!! Mesmo com a recriação de uma secretaria para aproximá-lo das lideranças. Uma refutação sofística que aparenta uma defesa sem sê-lo, que apenas aparentemente se ajusta ao sujeito do verbo, provocando falsas deduções e onde, claramente, uma conclusão (como quer o governo) não resulta do seu argumento. O contrário.

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1 Comentário(s)

  • Edilson Gonçalves da Silva | 19/04/2017 | 10:21Esse governo, poderiam alguns dizer, a "sorte virou madrasta". Mas digo eu, pura incompetência desde o começo, e aí não há nada que possa sustentar outra tese. Nada a fazer no momento, apenas esperar 2018, e, torcer para que o povo, mesmo por osmose, abra a mente e não faça mais nenhuma loucura.
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