Ponto Cartesiano
09 Ago 2017 - 02h03m

PMDB representar Kátia Abreu por infidelidade partidária, sob argumento moral, por criticar dirigentes processados no STF é piada pronta

Curiosa a investida do PMDB nacional, a partir de representação do PMDB regional, de abrir processo disciplinar para expulsão da senadora Kátia Abreu por infidelidade partidária.

A justificativa do PMDB regional é uma piada pronta: Kátia teria sido infiel ao partido por criticar dirigentes partidários metidos em lambanças (roubo mesmo!!!) como são inequívocos os processos na Justiça Federal e Supremo Tribunal Federal.

Conclusão óbvia: para o PMDB nacional e PMDB regional fidelidade partidária é ser leal até mesmo no desvio de recursos públicos. É uma tática de resultado negativo: pode dar à Senadora atestado de honestidade. E certificado de desonestidade para a turma.

Pode separar de vez morais e imorais. Não há moral ou ética de duas faces. Senso comum, bom senso. Ainda que um roubo tenha sua moral para os bandidos, para quem não rouba (a maioria), a moral é outra.

Se Kátia Abreu ficasse calada (ou defendesse os réus da Operação Lava-Lato por lá ou Operação Rei do Gado ou a irresponsabilidade fiscal confessa por aqui) seria fiel ao partido. Como colocou a boca no trombone, é infiel.

Sim, porque a representação do PMDB do Tocantins é fundamentada em declarações contra os desvios apontados pela Procuradoria Geral da República e denunciados no Supremo Tribunal Federal atribuídas à Senadora em portais de notícias.

Uma parlamentar cuja palavra é garantida pela Constituição da República ao contrário dos tempos em que o PMDB convergia a resistência contra os desmandos (econômicos e políticos) dos governos militares.

Do ponto de vista jurídico, não cuidou o PMDB regional sequer de representar a parlamentar para confirmar se teria dado mesmo as declarações aos portais. E se não as tivesse dado?

Evidente que um partido tem o direito democrático de retirar dos seus quadros quem não concorda com seu programa partidário. Da mesma forma que quem não concorda com esse programa ou com condução do partido tem de deixá-lo

A questão é a razão que se coloca e o que dela se depreende. Fidelidade partidária para esse grupo do PMDB (por essa representação), como é possível deduzir, se confunde com regramento de máfia. Deve-se ser fiel a uma moral própria e conforme as circunstâncias. Expulsar do partido um partidário porque defende honestidade de princípio e critica roubalheira de seus “companheiros” é realmente uma moral especial.

Detalhe: nos estatutos do PMDB tem um artigo que enquadra o membro do partido justamente pelo contrário: desvios éticos e morais. De outro modo: moral reta é a de quem é torto.

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