Ponto Cartesiano
07 Dez 2017 - 09h20m

PR já enfrenta dubiedades: cartesiano político dá azo a raciocínio de que candidatura de Dimas seria do espectro político-eleitoral do Palácio

Não é implausível o raciocínio de enxergar na candidatura de Ronaldo Dimas ao governo pelo PR suporte politicamente programando para dar musculatura ao partido e, lá na frente, coligar-se (ou fazer aliança) com outras legendas (o PMDB por maior afinidade) negociando a cabeça de chapa em troca de outros cargos na majoritária e garantia de candidaturas a deputados.

A primeira razão é óbvia: ainda que estivesse entabulando negociações para um chapão, Dimas demonstrou não ter muita certeza da pré-candidatura. Deu a entender que preferiria outro projeto, uma insegurança relevante para quem queira disputar a administração de um orçamento de R$11 bilhões e a vida de 1,5 milhão de pessoas.

Do efeito, pode-se ter a causa: se Vicentinho Alves (que é senador e presidente regional do PR) tencionasse uma candidatura de verdade ao governo e assumir o Palácio Araguaia, derrotando Marcelo Miranda (ou outros candidatos) teria ele próprio se colocado na disputa. Uma construção antiga. Vicentinho no primeiro semestre deste ano circulou uma nota, a priori inusitada, dizendo-se não candidato ao governo, quando tudo concorria para o contrário. A decisão abriu-lhe as portas do Palácio.

Uma intenção que demonstra ter desde os governos de Siqueira Campos tendo, inclusive, batido de frente, não faz muito, com o então senador João Ribeiro (seu antecessor na direção do partido) e com o próprio Siqueira.

A candidatura do PR beneficia Marcelo Miranda também na guerrilha contra adversários como se vê no enfrentamento nas redes sociais entre Ronaldo Dimas (já pré-candidato) e Carlos Amastha.

Administração é o gargalho do discurso de Marcelo contra Amastha. Marcelo enquadraria o discurso de Amastha ao discurso de Dimas. Na tese, prefeituras são prefeituras, governo é governo. Criaria um referencial limitador para o prefeito da Capital.

Com Kátia Abreu e Paulo Mourão, Marcelo Miranda e o PMDB podem fazer uso do enfrentamento meramente político onde se apresentam questões subjetivas. O mesmo se dá com Marlon Reis. O discurso político é mais fácil de ser enfrentado que a fotografia da obra. Ainda que tanto Kátia Abreu como Paulo Mourão tenham trabalho e competência administrativas comprovadas. 

A proporcionar maior probabilidade à estratégia, uma possibilidade incontroversa, se tem o eixo de alianças. O PR colocou sua candidatura na praça sozinho. Hoje (Jornal do Tocantins) se lê que PRP/PP/PPS estariam formando um bloco. Ou seja: duas frentes. Os mesmos partidos (Cesar Hallun e Lázaro Botelho) que, junto com Vicentinho (PR), fizeram reunião no mês passado no Palácio Araguaia, na sala do Governador. Encontro que a assessoria de Marcelo Miranda tratou de divulgar, imediatamente, como para a formação de alianças pela reeleição do Governador. Com foto e tudo.

Da reunião, Vicentinho comandou aquela negociação política para colocar as verbas de emendas de bancada (com apoio daqueles partidos) sob o comando de Marcelo Miranda no ano das eleições. Vicentinho também não é de jogar dinheiro fora por vaidades, não é de recusar votos por não gostar da cara do sujeito. Nem o PMDB de Marcelo.

Como comprovam os fatos. Com todo o histórico do PMDB com o siqueirismo, por exemplo,  Marcelo,agora, já tem Eduardo Siqueira (Democratas) como aliado (diz que vai também disputar a reeleição na Assembléia) o que leva para dentro do Palácio, por gravidade, o ex-governador Siqueira Campos. Ademais, Vicentinho, Ronaldo Dimas e Marcelo, no campo pessoal, são amigos de longa data.

E quem aí não se lembra da disputa de Eduardo Siqueira com o pai contra a candidatura de Xeiroso (então secretário estadual e preferido do ex-governador) em Araguaína, em favor de Ronaldo Dimas. Não seriam rusgas por uma meia dúzia de colégios eleitorais de pequenos   municípios que inviabilizariam um aliança por um projeto maior. Não vão deixar de se unir por causa de briga de panelas. Tudo no mesmo grupo, como agora estão. Parafraseando Eduardo Siqueira: estão derrubando muros.

E Dimas? Ora Dimas também não é de jogar dinheiro fora. É engenheiro, entende de cálculo. Se carrega o adjetivo de administrador competente, tem, perfeitamente, noção da logística do voto, da capilaridade eleitoral do PR e da força da máquina que tem um Governador do PMDB candidato à reeleição. E do outro lado estarão Carlos Amastha, Kátia Abreu e Paulo Mourão.

Pode optar por fazer acordos como, por exemplo, a garantia de colégios eleitorais para o filho, pretenso candidato a deputado federal (ou dele mesmo, caso renuncie) e aumentar a capilaridade da candidatura de Vicentinho ao Senado, com o uso da máquina do Estado, maior tempo de propaganda eleitoral e votos de legenda. Do contrário, na hora do 'pega pra capar", vai correr pra onde?

Ainda que se tenha que a pré-candidatura é oficial e que tanto Ronaldo Dimas como Vicentinho Alves a levem a sério até as eleições, há muito mais condições a favor que contra o raciocínio de estrategema político do PR em favor da candidatura do Palácio Araguaia.

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