Ponto Cartesiano
14 Nov 2017 - 16h39m

Quase um comissionado para cada efetivo. É a república do par de botinas que avança no Estado com argumentos os mais estapafúrdios

O secretário de Administração, Geferson Barros, bem que tentou ao Jornal do Tocantins desta terça justificar os mais de 20 mil servidores (20.625) comissionados e temporários que o governo paga (folha de setembro como o leitor já leu aqui). Número que equivale a 38% de todo o corpo de funcionários, na ordem de 54.188. Ou: quase um comissionado para cada efetivo.

São 20 mil pessoas contratadas sob critério político, indicação de lideranças e parlamentares e que quando tem seus contratos vencidos, saem em busca de patrocínio de políticos que consigam do governo a renovação de seus vínculos.

Uma covardia num Estado onde 600 mil pessoas situadas na faixa da população economicamente ativa, estão sem ocupação e que precisam das mesmas oportunidades. E sem qualquer perspectiva na iniciativa privada que não investe (para gerar empregos) porque também não vê perspectiva no Estado a partir das ações/omissões ou falta de projetos do governo.

A estratégia atinge diretamente aqueles que tem menor formação, propensos a uma maior dependência do par de botinas. Destes temporários, 13 mil ganham até três  mínimos. No quadro geral, a média de salários é de R$ 1,6 mil. Um total de 6.572 servidores ganham até um mínimo. No magistério, 5.270 professores e monitores tem uma média salarial de R$ 3 mil.

Concurso ou corte? Não se faz,conforme a Secretaria de Administração, mais concursos para nível fundamental. E que o governo planeja concursos para educação e saúde.

Até lá, vai fazendo uso do par de botinas.

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4 Comentário(s)

  • FABIANO FRANCISCO DE MORAIS | 15/11/2017 | 14:23Que tal o senhor, fazer uma reportagem sobre o atual concurso da defesa social( SECIJU). Existe um concurso em vigência com mais ou menos 480 aprovados aguardando somente o curso de formação para a tão sonhada posse. E enquanto isso o governo do estado contrata mais de 300 pessoas para ocupar a vaga dos aprovados, nos presídios Tocantinenses. Sendo que existem duas ACPs ( Ações Civis Publica) em andamento onde proíbe o estado de contratar ou renovar contrato, e o obriga a chamar todos os aprovados sob a égide da pena de multa diária de 3 mil até o limite de 300 mil/dia. O MPE está de olho no governo que não está cumprindo tais ACPs. Faz uma matéria sobre! O estado clama por mais efetivo nos presídios. Obrigado por sua atenção!
  • Rosangela | 14/11/2017 | 22:36Lamentavelmente quem acaba pagando toda a conta é o servidor publico efetivo que tem seus direitos aniquilados pela desmazelas que este Estado vem sendo submetido. Daí fica difícil fechar a folha, garantir o 13º, pagar as progressões em atraso, fazer o repasse devido para o IGEPREV, comprar lençóis para as instituições hospitalares, pagar o Plan Saúde e honrar seus demais compromissos, pois necessita manter o cabide de emprego para as próximas eleições; Um Estado que tinha tudo para dar certo mas, que infelizmente, esta indo para o brejo.
  • MEIRIVALDO ALENCAR | 14/11/2017 | 16:06Caro Luiz Armando, Infelizmente isso vem acontecendo em outros poderes. No TCE tem 278 servidores efetivos (concursados) e 130 exclusivamente comissionado, isso representa a metade dos efetivo. E ja tem um novo projeto criando novos cargos comissionado que breve sera aprovado pela AL.
  • Pedro HC | 14/11/2017 | 09:59Esqueceram?!! --->>> Em julgamento do RCED 698 o ministro Joaquim Barbosa também concordou que os dados eram estarrecedores e lembrou que em determinados momentos do governo Marcelo Miranda havia mais funcionários comissionados do que efetivos, como se verificou o ano passado durante votação de uma ADIN no STF sobre o fato.
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