Ponto Cartesiano
10 Nov 2017 - 07h31m

Saúde nega acesso a aparelho de hemodinâmica do HGP ao JTO!!! Ou ainda está desaparecido ou quebrado, não é verdade?

Caro, você aí, se fosse acusado de ter liberado um aparelho de hemodinâmica, público, para que um médico o levasse para sua clínica particular e não o devolvesse, qual seria melhor forma de mostrar-se correto? Mostrar o aparelho dentro do hospital público recuperado, trazido de volta, onde deveria estar, ou escondê-lo do público seu proprietário?

Um aparelho desses aí da foto, deste tamanho, não seria mais plausível que a Secretaria de Saúde fizesse questão de mostrá-lo ao público para, certo modo, até mesmo diminuir a dimensão da indecência de emprestá-lo a um médico, também pago pelos cofres públicos, para que ele o utilize em sua clínica particular!!!

Pois a Secretaria fez o contrário: negou ao Jornal do Tocantins desta sexta o acesso a essa estrovenga aí (esta foto é ilustrativa), fundamental no tratamento de pacientes com registro de infarto agudo no miocárdio e que funcionava no HGP, adquirido com recursos públicos. E que os médicos, como comprovam as gravações da PF na Operação Marcapasso, teriam pego emprestado. No popular, surrupiado.

A negativa da Secretaria de Saúde em mostrar o aparelho desaparecido (apesar deste tamanho aí) sugere que o órgão ou não sabe ainda onde ele estaria (caso em que não teria sido devolvido). Ou, devolvido, apresentaria algum defeito. Ou ainda: tal equipamento estivesse sob a tutela da Justiça Federal, caso em que a lógica seria informar a situação de forma transparente até porque o processo é público como público é o equipamento. A não ser que a Secretaria queira contrariar a legislação que determina transparência na administração pública e aí se indagaria quem da falta de transparência se beneficiaria.

Essa é a casa da mãe joana em que se transformou o governo e a Secretaria de Saúde. Um rendez vous de R$ 1,7 bilhão anuais. Onde servidores liberam um equipamento com custo estimado em um milhão e meio de reais para uma clínica privada e ninguém, diretor, secretário, governador toma conhecimento ou providência. Aliás, um furto.

Se não tivesse aparecido um delator, se a Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal não investigassem, tudo estaria dentro da normalidade. E um aparelho desses aí, de R$ 500 mil (como na internet) mas adquirido pelo governo por R$ 1,6 milhão em 2011 (como informa o JTO desta sexta), adquirido com recursos públicos, estaria ajudando cadiologistas e ganharem dinheiro nas suas clínicas particulares. O povão que dele necessitasse, teria que se virar nos trinta para conseguir dinheiro e ir lá nos consultórios dos digníssimos que, repita-se, ganhavam também salários do poder público.

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