Ponto Cartesiano
19 Abr 2017 - 10h42m

Sem conseguir que prefeitura cumpra seu papel, governo abre nova ala no HGP e barra pacientes das UPAs. Constituição, cadê você?

O governo deve abrir nos próximos dias mais uma ala no HGP (um pavimento que estava em construção). A nova ala deve abrigar os pacientes que estão despejados debaixo da lona, no calor infernal, sem ventilação e banheiros imundos. É uma boa notícia. Ainda que vá ter problemas para alocação de pessoal.

Como já informei, não há falta de recursos, tanto que as alas serão abertas com tudo que tem direito. Afinal o governo recebeu do governo federal de recursos carimbados até ontem (18 de abril), R$ 198,3 milhões. Dos quais, R$ 11,5 milhões para investimentos e R$ 132,4 milhões para média e alta complexidade, finalidade precípua dos atendimentos do HGP.

Mas como não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe, o governo introduziu no HGP um diretor linha dura que estaria negando atendimento a pacientes que não tenham passados pelas UPAs primeiro. Mesmo o governo tendo recebido de janeiro a abril R$ 46 milhões para atenção básica e R$ 2,4 milhões para assistência farmacèutica.

Cidadão chega com dor de cabeça ou no peito de madrugada no HGP é mandado para os postinhos. Há reclamações ainda de médicos e enfermeiros.

O governo parece ter visto no método a solução dos problemas do hospital. Num lugar onde se exige mais cérebro e coração que músculos ou raiva.

Ou seja, para ficar só na dor de cabeça, que pode ser sintoma de AVC, ou do peito (infarto), terá que dar meia volta ao postinho.

De outro modo: na impotência de travar um diálogo público e sério com o Executivo municipal da Capital, mobilizar deputados e vereadores e exigir do Paço que cumpra suas competências constitucionais na saúde, o Palácio Araguaia optou por barrar os pacientes. Ou seja, é aquela briga do rochedo com o mar. Sobra para os mariscos.

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