Ponto Cartesiano
17 Abr 2018 - 07h33m

Senadora Kátia faz nesta 3ª audiência de Comissão do Senado na Capital para discutir transposição de águas do Tocantins para o São Francisco

A senadora Kátia Abreu coordena nesta terça uma audiência pública da Comissão de Infraestrutura do Senado na Capital: discussão da transposição de águas do rio Tocantins para o São Francisco. Será no auditório da OAB a partir das 14 horas.

A Senadora é a relatora do projeto no Senado e já se manifestou publicamente contra a transposição. Kátia tem posições firmes. Foi assim na derrubada da CPMF, no Código Florestal e também no Teto dos Gastos. A discussão hoje terá técnicos renomados da área e objetiva levar argumentos e informações à população sobre projeto tão relevante.

É uma ação mais centrada (por ser no fórum adequado) que a campanha publicitária amplificada por Mauro Carlesse contra a transposição que torrou recursos públicos para convencer a população do Estado a posicionar-se contrária à transposição. E claro pela defesa de que o rio “fosse nosso” e ninguém tasca.

No mérito e na estratégia entendo, entretanto, como de difícil defesa a contrariedade à transposição fundada nos argumentos atuais. O rio Tocantins é um rio nacional (foge à esfera estadual), banha quatro Estados: Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará). Legislação federal. Competencia federal.

Segundo, não menos relevante, uma ação seria mais producente feita no convencimento dos parlamentares de outros Estados. Pode ser que seja parte do projeto, mas ainda não se sabe. Somente os Estados do Nordeste que podem vir a ser beneficiados com a transposição contam com 180 deputados e senadores, contra os onze do Tocantins. Uma conta e força política desiguais.

Ademais, a questão hídrica é de ordem nacional. O governo federal, com o aval do Congresso, tem a obrigação de solucionar o problema da falta de água no semi-árido nordestino. Para efeito de comparação, imagine se os Estados de Minas Gerais, Bahia ou outros banhados pelo rio São Francisco se opusessem à transposição das águas do rio São Francisco para o semi-árido para atender uma população estimada em 12 milhões de pessoas que sofrem ciclicamente com a falta de água.

Mas tem ainda outro lado: o projeto prevê uma grande hidrovia que favoreceria ao transporte da produção interligando o Nordeste com a Amazonia passando pelo Tocantins. É um projeto grandioso que, acredito, não sairá do papel tao cedo: não pela oposição tupiniquim dos tocantinenses de preservar o rio Tocantins como seu. Mas por falta de recursos que um dia  não faltarão.

 

Deixe seu comentário:

© 2015 - luizarmando.com.br - Todos os direitos reservados.