Ponto Cartesiano
19 Mai 2017 - 09h03m

Situação de Temer pode fazer água também na pretensa aliança Vicentinho Alves/Marcelo Miranda com vistas às eleições do próximo ano

O presidente Michel Temer decidiu não renunciar. O governo certamente desidrata e não poderia ser diferente dadas as denúncias. Afinal, não é todo dia que um presidente da República é investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

E convenhamos, ainda que não tivesse tido a intenção de dar apoio a JBS no cala-boca a Eduardo Cunha, qualquer cidadão (ainda mais um presidente da República) teria a obrigação e dever de comunicar a Polícia sobre o que o empresário dizia estar comprando na Justiça e no Ministério Público. No juridiquês, teria prevaricado.

Conhecedor do direito (e da política) Temer, assim, teria preferido optar pelo direito: abriu mão do seu ativo político e decidiu manter-se no cargo para, é possível deduzir, manter o foro privilegiado, dado que não é mais parlamentar. Ou seja: é uma questão de defesa pessoal e  não do país.

Ao abrir mão da política, Temer também joga na fogueira os aliados. Dentre eles, o PMDB e o PR do Tocantins que entabulavam uma aliança com vistas à sucessão estadual de 2018. A lógica política indicava um apoio de Temer a Marcelo Miranda ou Vicentinho Alves, com maior possibilidade do segundo em relação ao primeiro por questões óbvias: projeção nacional e sem os desgastes do governo estadual.

A saída de Temer (fato consumado na avaliação da classe política em função do que já veio a  público) coloca, assim, no Estado, os potenciais concorrentes ao cargo de governador e senador, na prática, no mesmo patamar: sem o ativo que o governo federal poderia se constituir, é cada um por si e Deus por todos.

Evidente que falta muito para as eleições de 2018 e isto é fundamental não se tirar do horizonte.  Com eleição direta ou indireta (a Constituição determina eleição indireta) outro presidente será empossado. E com ele novas perspectivas de alianças e, assim, novas perspectivas de apoios.

Ou seja, pode acontecer tudo, inclusive nada.

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1 Comentário(s)

  • Edilson Gonçalves da Silva | 19/05/2017 | 09:08Os políticos de um modo geral só servem para atrapalhar os trabalhadores desse país (sou irmão de um vereador). Esses citados na matéria, em não se elegendo já vai ser de grande valia para a população. Particularmente não votarei em Marcelo ou vicentinho, e, tampouco em candidatos que representem o atual "status quo", por isso digo, diga não à reeleição.
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