Ponto Cartesiano
13 Nov 2017 - 08h18m

Transposição do rio Tocantins para o São Francisco é inexorável pelo determinismo econômico. O resto é puro egocentrismo e retórica populista!

Depois de aprovado na Câmara dos Deputados, os parlamentares do Estado no Congresso Nacional propagam, agora, suas posições contrárias ao projeto de transposição das águas do rio Tocantins para o rio São Francisco, iniciativa que tem o apoio inequívoco do governo federal. Por aqui, é bom que se diga, o presidente do Legislativo, deputado Mauro Carlesse, tem, desde o início, se colocado publicamente contra a iniciativa. O Executivo não se posicionou.

O projeto (do deputado Gonzaga Patriota) -  aprovado de forma conclusiva na Câmara - vai ser analisado no Senado onde a relatoria coube à senadora Kátia Abreu que cometeu, ato contínuo, uma, digamos, inconsistência: disse de antemão que vai rejeitá-lo. Ou seja: já tem seu juízo de valor sobre a matéria antes mesmo de relatá-la quando, certamente, terá dados técnicos sobre o projeto. Evidente que tivesse vontade política de aprová-lo, o governo teria escolhido outro parlamentar,  dado o vício inconteste de nomear para a relatoria parlamentar diretamente interessado na  matéria.

Fico a imaginar como seria se os Estados de Minas Gerais, Bahia, Alagoas ou Sergipe tivessem feito uma mobilização contrária à transposição das águas do São Francisco para Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, no combate à seca do sertão nordestino. E qual seria a reação dos Estados beneficiados e o papel dos governos e dos parlamentares no Congresso que tem função ampliada. Devem pensar no país como um todo, nos Estados já se tem os deputados estaduais.

O projeto de transposição do rio Tocantins para o São Francisco, de resto, só não passa no Senado se o governo federal efetivamente não quiser que seja aprovado. Independente do relatório contrário da senadora Kátia Abreu. Os Estados do Nordeste (a serem beneficiados diretamente com a transposição) somam 24 senadores. Tocantins apenas três.

Na Câmara, enquanto o Estado patina com seus oito parlamentares divididos, as Unidades Federativas a serem beneficiadas contam com 124 deputados federais.  E, óbvio, tem uma capacidade de mobilização maior (até histórica) que os tocantinenses. Um PIB também de expressão certamente maior.

Esse discurso contrário ao projeto (que já tem mais de 40 anos) faz uso do egocentrismo para se opor ao determinismo econômico. Daí sua fragilidade. Não se consegue refutá-lo a partir de dados técnicos e sim com uma retórica política chin-frin de defesa do "nosso pirão".

O rio Tocantins não pertence ao Estado, mas ao país, por isto a sua transposição integrar o plano nacional de viação desde 1.973. Nem mesmo FHC o ignorou. Siqueira Campos, no seu primeiro governo, o anunciou. Siqueira sempre teve visão de futuro, é o que seria mais próximo de um estadista que o Estado já produziu.

O projeto pode não ir adiante por seus custos num momento de crise econômica. Tem um desnível, custos com bombeamento, construção de um canal de mais de 200 km, estas coisas.  Não por esse discursinho de defesa do  “nosso riozinho” que os deputados não fizeram na construção de três grandes hidrelétricas que modificaram seu leito sem trazer qualquer benefício à população. 

Mas não restam dúvidas de que é relevante para o país ao integrar as bacias do São Francisco à do Amazonas, passando pelo Tocantins. Mais um corredor de transporte de pessoas e riquezas.

Uma grande hidrovia ligando o Nordeste ao Centro-Oeste e Norte do país. Um projeto que, mais dia menos dia, será inevitável enfrentá-lo por questões econômica e de integração nacional.

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2 Comentário(s)

  • Natal César Alves de Castro | 13/11/2017 | 13:51Como ambientalista a 20 anos venha acompanhando a situação da capacidade hídrica do Rio Tocantins e demais rios do estado. Com a construção das usinas hidrelétricas construídas que trouxe somente impactos negativos e preço fa energia mais cara fo país. Entendo a necessidade do povo do nordeste, mais no meu enterde não adianta gastar rios de dinheiro com uma obra natimorta. Visite Miracema, Tocantinópolis e demais cidades as margens dp Rio Tocantins no meados de outubro que você irá conhecer realmente a realidade do rio. Acredito que não está acompanhando nos noticiários tocantinense essa realidade.
  • Pedro HC | 13/11/2017 | 09:32Outra transposição, igual a que o Lula fez? talvez é bom chamar a Odebrecht de novo também e todos os companheiros do 13. Quantas pessoas foram efetivamente beneficiadas com a transposição do São Francisco?
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