Ponto Cartesiano
18 Mai 2017 - 08h49m

Um escândalo previsível como sucedâneo de um golpe constitucional. Queda de Temer deve respingar no PMDB do Estado

Não há mais qualquer condição política (ou jurídica) para que o presidente Michel Temer permaneça no poder. Negociar com empresário (ou assentir) para pagar deputado preso para não abrir a boca – em pleno andamento da Operação Lava-Jato – é daquelas situações imponderáveis.

Por aqui, o escândalo joga água na fervura do PMDB que já estava se movimentando como protagonista nas eleições de 2018. O governo e o PMDB regional (deputados federais) foram abertamente defensores do impeachment e da posse de Michel o que expõe,a priori, concordância com os métodos agora denunciados.

Na verdade, qualquer cidadão de razoável compreensão tem consciência de que Temer fazia parte do submundo da política, como seus pares, ainda que, aparentemente demonstrasse hábitos republicanos.

Seria hipocrisia imaginar que negociasse e acordos (tanto no  PMDB e depois no governo) fossem realizadas apenas no gogó. Há muito a política deixou de ser a arte da conversa, do diálogo, da dialética e da retórica.

Essa régua foi a medida do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, afastada do cargo por um golpe do Congresso que fez uso da inabilidade política da petista e das regras democráticas. 

Se já não se tinha dúvidas do comando do golpe (o próprio vice) agora se tem provas do seu custo que envolveria até mesmo ação pessoal do presidente empossado na busca de recursos para pagamento de deputados presos que pudessem abrir a boca.

É um governo e um Congresso envergonhados. Tanto no descortínio dos crimes praticados no impeachment, alguns atribuídos ao próprio presidente (como na delação da JBS) como na falta de reação da população  e dos próprios parlamentares acerca da armadilha que entabularam para si e para o país.

Não há saídas. É renúncia ou impeachment. É só cumprir a Constituição, ainda que alguns populistas, com seus interesses, estejam a propor, desde cedo, uma PEC para mudar a votação indireta (como prevê a CF) para eleição direta. Que jogará o país em mais escuridão por mais tempo.

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1 Comentário(s)

  • Edilson Gonçalves da Silva | 18/05/2017 | 08:55No relacionado à política, não há nada que possa me surpreender, isso no tocante ao mal que eles podem e fazem contra os cidadãos desse país. E reconheço que o mal já venceu, e isso, há muito tempo.
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