Ponto Cartesiano
20 Jul 2018 - 07h13m

Amastha parece fazer com Vicentinho o que aplicou em Kátia. Aliados vazam no anonimato para ele negar no público. Pode obter resultado diverso!

O ex-prefeito Carlos Amastha dá sinais de que poderia fazer com o senador Vicentinho Alves o mesmo que aplicou na senadora Kátia Abreu. Mas pode haver resultados diferentes.

Funcionaria de forma muito simples, porém prejudicial à política: o ex-prefeito liga, mantém conversações indicativas de aliança, amarra o suposto aliado e depois cai fora, excluindo-o e invertendo o papel, modificando-o para adversário que, pela lógica da estratégia, talvez sempre o tivesse considerado.

No período em que o potencial aliado, por ética e compromisso, não busca outras parcerias, o ex-prefeito tem liberdade para fazer, em silêncio, as suas. E aí as divulga, deixando o suposto aliado com a brocha das mãos e o ônus político da exposição pública, certo modo vazada por seus aliados quando não por ele próprio.

Nada mais eloquente que o vazamento de informações de que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) tivesse ligado ao ex-prefeito da Capital dando apoio a Vicentinho Alves na chapa do PSB.  Tanto Vicentinho quanto o ex-prefeito negaram a conversa, mas a informação já ganhara as ruas, prejudicando certamente, em maior extensão, o senador.

O vazamento, como é possível deduzir, cumpriu o seu papel: levantou a bola para Amastha cortar, diminuindo a relevância do parlamentar que estaria assim, de outro modo, necessitando de ajuda de outro Estado para estar na chapa do colombiano. Uma intervenção ilegítima de um Estado em outro, de um partido noutra legenda. Uma por outra, o cidadão é levado a acreditar mais na negativa de Amastha que na de Vicentinho.

Pode dar resultado diferente porque Vicentinho já demonstrou ter mais votos que Amastha (eleições suplementares) e os mais de 80 prefeitos ao lado do Senador somam mais estrutura operacional de apoio que o total de prefeitos dos partidos aliados ao ex-prefeito candidato ao governo. Daí a atração que exerce como na conversa de Carlesse com Avelino. Ou seja, Vicentinho bem poderia ter negado (ou vazado) os telefonemas de Amastha a ele, na busca de alianças. Não o fez, intuo, por decência.

Em política, como é notório, não é recomendável arroubos primaveris quase sempre produto de inexperiência e do fígado. Campanhas, como o próprio Amastha já percebeu, se ganha e se perde nos detalhes.

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