Ponto Cartesiano
11 Jun 2018 - 06h51m

Carlesse:onda meio obtusa, meio leviana, encarnação do esquecimento explicada porque só fica na nossa memória aquilo que não cessa de causar dor

A duas semanas do segundo turno das eleições suplementares vivenciamos aquele denominado ponto morto, o cansaço que olha para trás, vontade que se volta contra a vida.

São dias que impulsionam uma onda a favor de uma candidatura meio obtusa, meio leviana, uma encarnação do esquecimento explicada, em certa medida, porque só fica na nossa memória aquilo que não cessa de causar dor.

Nestes dias, imputa-se ao adversário de Mauro Carlesse como baixaria a divulgação de seus processos na Justiça. Alguns por falta de pagamento de dívidas outros por canos que teria dado em pessoas.

Ficou preso em pleno exercício do mandato de deputado por falta de pagamento de pensão alimentícia de R$ 50 mil quando registrava um patrimônio de R$ 35 milhões que evaporou-se em três anos.

Para muitos, não é nada. Prometendo-lhes atender suas demandas pessoais e imediatas, é o útil, seguindo o princípio de que o bom para seus interesses é o conveniente. E, do contrário, o inconveniente seria o mau e ruim para suas demandas pessoais, mesmo em detrimento do conjunto que representara a moral e ética posto fundado nas regras de regulação coletivas.

Carlesse e seus correligionários amplificaram nos últimos dias certidões negativas que, se demonstram que ainda não foi condenado em última instância, não afastam os fatos narrados. Mantem, portanto, a dúvida sobre desvios comportamentais.

Em condições normais, seria problema privado, mas para um governador interino e candidato ao governo é relevante. É informação necessária sim! para o eleitor fazer o seu juízo de valor. Não só dele, mas também dos demais.

É uma onda que não enxerga Eduardo Siqueira e Carlos Gaguim determinando secretarias nem o mal que fizeram ao Estado nos governos sob suas direções. Um movimento que tangencia a roubalheira na saúde e os desvios de empréstimos do BB/BNDES para favorecer empresários e prefeitos a meter a mão em algo próximo de R$ 1 bilhão que levou um ex-governador siqueirista, empreiteiros e secretários à cadeia.

Já não causa dor um governador e um vice-governador renunciarem a seus cargos (a mando do primeiro) para que o filho do governador (e governador de fato) pudesse candidatar-se ao governo. Como não causa mais repulsa ou indignação o custo e o destinatário dessa conta que pagou a fatura dessa operação, tão inescrupulosa como mal sucedida às partes.

Mas eles estão aí. Jornalista pode escrever sobre as certidões, mas não detalhar e traçar um raciocínio sobre o que elas significam e indicam. Caso contrário, estariam a serviço de candidatos. Uma pressão que não me incomoda, uma patrulha tão indecente quanto imoral. Só não é despropositada por causa dos propósitos identificáveis no que se defende. Ou se critica. Uma má consciência. Um trabalho que poderia ser feito com ética.

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1 Comentário(s)

  • Edilson Ferreira de Soyza | 11/06/2018 | 08:43Eu acredito que os eleitores tocantinenses refletirão melhor, e não continuará com o mesmo esquema
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