Ponto Cartesiano
13 Jun 2018 - 09h11m

Carlesse tem aceitação da Polícia Civil, diz presidente do Sinpol. Bingo!! Sindicato reitera avaliação do blog para, paradoxalmente, refutá-lo

O presidente do Sindicato dos Policiais do Estado encaminhou nota a este blog sobre artigo publicado ontem (leia aí do lado).  Diz repudiar o artigo, imputando ao blog uma orientação política. Bom, primeiro que este blog tem, sim, um viés político porque é a política que comanda o mundo. E contradita números e leis.

Ora, se o presidente do Sindicato, Ubiratan Rebello, não estivesse preocupado na época da discussão sobre a questão da suspensão do alinhamento por Marcelo Miranda, em formatar sua própria campanha ao sindicato com o apoio decisivo do governo Marcelo Miranda (o secretário de Segurança, Cesar Simoni, foi um dos seus principais cabos eleitorais e isto não é demérito nenhum), teria observado o número de artigos que escrevi apontando os equívocos do Governo do MDB (que ele então defendia implicitamente), ao tentar anular uma lei por decreto. E da ilegalidade e ilegitimidade da forma encontrada para anular um ato jurídico perfeito. Ou também pudesse Ubirantan ter tentado destituir Marcelo Miranda da idéia equivocada ainda que relevante para os cofres públicos em petição de miséria.

Um projeto de lei encaminhado pelo Executivo (competente para tal) e aprovado pelo Legislativo (também competente) quando Mauro Carlesse nem deputado era ainda. Mas ainda é tempo. O arquivo do blog está aí. Pode ainda ler que escrevi que, apesar disso, a lei contrariava a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O Estado fechou o exercício de 2014 (quando a lei foi editada), gastando 50,93% de suas receitas correntes líquidas com pessoal. Já tinha registrado no segundo quadrimestre daquele mesmo ano o percentual de 50,48%. O limite máximo é 49%. Só isto aí já impedia o alinhamento. Mas tinha também a promessa eleitoral. Os policiais fizeram em peso campanha pró-Sandoval Cardoso (um direito de cada um). Mas teve consequências: vem daí a relação que Marcelo Miranda, o vencedor das eleições, manteve com a Civil em relação à Militar.

O Sindicato também questiona os números (o custo do alinhamento) e diz que tinha previsão orçamentária. Ora, a Vara da Fazenda Pública de Palmas (juiz Manuel de Farias Reis Neto) acatou a tese do governo (perfeitamente comprovável) do tamanho do buraco e da falta de previsão orçamentária, não houve estudo de impacto financeiro nenhum.

O blog não está inventando agora, quando não o estava lá atrás. A briga do Sindicato, se haveria, deveria ser com o juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Palmas. O TJ, depois, mandou pagar, mas não analisou mérito de despesas. Até porque não deveria. Se tivesse que haver uma discussão dessas, ela precederia a lei. E não depois. E isto nem Sandoval nem a Assembléia o fizeram porque o motivo era meramente eleitoreiro, como agora é a promessa de pagamento.

Não à toa, o presidente do Sindicato, Ubiratan Rebello, na mesma nota em que repudia a avaliação do blog, confessa (e o impulsiona) candidamente: O Deputado Estadual e Governador Interino, Mauro Carlesse, tem a aceitação da categoria Polícia Civil, não só pelo que já fez durante o processo da ADIn, mas também pela forma coerente e responsável que vêm conduzindo o mandado tampão.

Vai  mais além na nota em que diz repudiar e esclarecer: O Governo vem ajustando as contas com os servidores públicos, de forma legal e dentro da capacidade financeira do Estado, iniciou cumprindo a Lei que determina o pagamento dos salários até o 5º dia útil para mais de 70% dos servidores, negociou com os representantes classistas a Data Base atrasada de 2017 de forma parcelada e a de 2018 em parcela única, assim, os servidores que movem esta máquina chamada “Estado” vem finalmente tendo seus direitos respeitados.

Não. Não é o texto de alguma propaganda eleitoral de Mauro Carlesse. É um texto oficial assinado pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado para refutar, paradoxalmente, que os policiais civis estariam exercendo o papel de cabos eleitorais do candidato Carlesse, todos pagos com recursos públicos.

Se fosse num Estado decente, teríamos aí um crime eleitoral escandaloso: servidores públicos confessando que, em troca do voto no candidato, governador interino, estariam recebendo do público, por benefícios salariais que, na atual conjuntura, retira mais dinheiro ainda de suas finalidades públicas. Ou seja: só existem por causa do público, mas estão de olho nos seus próprios bolsos. Só acordarão quando o governo não conseguir nem parcelar salário mais. E a turma do andar de baixo dar um basta: nao pagar os impostos que os bancam e às autoridades políticas inescrupulosas com a coisa pública que tratam como se privada fosse.

 

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4 Comentário(s)

  • Fausto Humberto | 14/06/2018 | 11:54Eu já vi blog partidário mas este supera todos, devia chamar blog Miranda.
  • EVALDO DE OLIVEIRA GOMES | 13/06/2018 | 23:45A Polícia Civil e os seus integrantes não são responsáveis pelo desajuste das contas da administração pública estadual. Foi, sim, vítima de perseguição e preconceito do governo encabeçado por Marcelo Miranda. Em total quebra do princípio da isonomia, outras categorias como a do fisco, PGE e DPE, tiveram leis, aprovadas no mesmo dia e com o mesmo orçamento, que reajustaram os vencimentos de servidores, e que não foram questionadas pelo governador protagonista da Operação Rei do Gado da PF. Somente houve ranger de dentes com as leis referentes à PC! Porque? Para contratar os quase vinte mil que alimentam o clientelismo não foi considerada a dificuldade orçamentária. Agora, absurdo é criticar o atual gestor pelo fato de querer cumprir as leis e reconhecer o direito dos servidores da Polícia Judiciária Estadual.
  • Paulo Pereira da costa | 13/06/2018 | 11:26Tocantins! Um estado de castas...
  • Antonio | 13/06/2018 | 09:45O que mais me impressiona é você afirmar que a lei da PC contrariava a lei de responsabilidade fiscal, mas silencia totalmente em relação a lei, exemplo, da defensoria pública que foi aprovada no mesmo dia, mas posterior a da PC, e faz rir quando diz que "o viés político é por causa que ela controla o mundo", como se os quatro cantos não soubesse suas origens políticas.
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