Ponto Cartesiano
12 Mar 2018 - 09h36m

Essa confusão de Amastha entre ser e não ser ganha contornos visíveis na demonstração de força coercitiva contra os donos de quiosques

Pode-se até emprestar um crédito de legalidade ao prefeito Carlos Amastha nesse “toca fogo na cidade” que tem empreendido nas últimas semanas, mas do ponto de vista político, eleitoral e social parece irracional o combustível que adicionou com a retirada dos quiosques. Alguns deles existentes na cidade desde o seu início.

Digo parece, porque não o é de verdade. Essa espécie de higienização social e urbana empreendida nos últimos dias também foi empregada no primeiro ano de seu primeiro mandato. O que empresta certa coerência ao prefeito na sua suposta saída, anunciada para o próximo dia 3 de abril.

À época não foi atrás só dos quiosques, mas também dos camelôs e ambulantes. Incoerentes se mostram os moradores e eleitores que o reelegeram disto tendo conhecimento dada a clareza das ações e propósitos. E que, ainda assim, o mantém aceso na vontade de redimensionar seu projeto político.

Se há confronto, sob a razão, ele se dá, em larga medida, é com sua pretensa intenção de disputar o governo de um Estado onde 80 mil estão desempregados e não veem qualquer expectativa de emprego pela falta de investimentos do poder público e da iniciativa privada. E que tem na informalidade única saída para manter-se vivos.

Alguns submetidos a juros escorchantes de agiotas de língua hispano-americana que já tomam conta das cidades e de seus empresários, cobrando absurdas e ilegais taxas diárias por intermédio de rapazolas que não disfarçam o caráter mafioso de suas atividades. Tudo no beiço das instituições e sem qualquer reação do poder legal, já que são conhecidos pelos moradores.

A ação de Amastha, na derrubada dos quiosques, assemelha-se, certo modo,  ao “prende e arrebenta” da ditadura militar. E encontra ressonância na forçada de barra do Shopping a céu aberto, no BRT, no reajuste do IPTU, no reajuste da taxa de coleta de lixo, no abuso do projeto do Plano Diretor e tantos outros projetos que o prefeito tem tentado implantar na marra, submetendo as instituições e a população  ao seu comando autoritário (ainda que fundados aparentemente na legalidade) que, se disfarça na retórica, não o esconde nos meios, formas e resultados.

Daí poder vir a apresentar-se coerente, do ponto de vista eleitoral, com algum sentido lógico (ainda que invertido) a demonstraçao de Amastha como o não candidato-candidato, como se infere de suas movimentaçoes.  Uma aposta de alto risco.

Aquele que faria mal buscando o bem, o anti-populista ainda que, no caso do IPTU, por exemplo, tenha concedido isenção do imposto a alguns responsáveis pela sua própria cobrança. Uma maldade direcionada. Nada diferente da graça real.

Mas como os eleitores o reelegeram sabendo de sua forma de fazer política e administrar, não é improvável (ou impossível) que o aceitem novamente. Agora numa dimensão estadual. Afinal, a história é farta em registros de eleições de déspotas esclarecidos.

 

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