Ponto Cartesiano
14 Set 2018 - 08h41m

Marlon diz na sabatina do GJC que não contraria seus princípios. Lembrou que disse que só não faria aliança com ex-governadores...

As sabatinas do Jornal do Tocantins/CBN/TV Anhanguera (ainda que se tenha conhecimento por enquanto apenas de suas sínteses) tem-se revelado, aos candidatos, confessionário com soma negativa a seus projetos em determinados casos. Especialmente para aqueles deficientes de substância teórica ou carentes de orientação político-partidária.

Uns as enfrentam porque vêem ali uma plataforma para mostrar suas intenções. Outros por receio da reação que, certo modo, pode emergir da omissão. Alguns, entretanto, aproveitam-nas para fazer demonstrações de como viabilizarão o que propõem. Outros na absoluta incapacidade de fazê-lo, navegam literalmente na maionese, abrindo campo vasto no mapa e território das contradições.

É o caso do advogado e ex-juiz Marlon Reis. O candidato da Rede teria negado (como lhe atribui o JTo desta sexta) que não traíra seus princípios ao aliar-se com políticos do Estado. E teria ressaltado: sempre disse que não faria aliança com quem tivesse sido governador do Tocantins.

É uma seletividade conveniente, obtusa e rasa, do ponto de vista da retórica e tão paradoxal quanto contraditória politicamente, que não encontra, justamente por isto, correspondência com a realidade fática. Não existe aliança sem partido que é o elemento que determina as candidaturas.

De outro modo, ao eleger ex-governadores como os antípodas à sua política, Marlon, na verdade, está dizendo que sempre defendeu alianças partidárias com qualquer partido. E aí contrariaria seu mantra ficha limpa ou sua predisposição em projetar-se como o novo na política.

Ou seja: Marlon estaria, por outro lado, no raciocínio teórico, tentando negar os partidos com sua objeção a pessoas quando, de fato, estaria reafirmando convergências com legendas que deram substância à sua própria chapa, formada, evidentemente, de partidos com vieses ideológicos tão díspares quando divergentes da proposta que ele, Marlon, pretende que o eleitor entenda e compreenda.

O candidato da Rede pode ter a melhor das intenções (e disso a priori não se tem porque duvidar) mas seu raciocínio é trôpego.  Parece pretender Marlon, com suas proposições, que observemos suas pretensões e as colocações que as fundamentariam, como se tais predicados já estivessem nele contidos e não em conexão com ele. Seriam válidas, em tese, porque dele emanadas. A compreensão e conexão de suas idéias seriam algo imanente, automático e inexorável.

 A questão é que um juízo analítico do predicado não acrescenta em nada ao sujeito. É apenas de explicação. E não ampliação como seria se buscasse, na população, um juízo de expansão, demonstrando conexão entre ele, sujeito, e o predicado que acha possuir em benefício da comunidade, que seria, em tese, o seu objeto ideado.

Um confronto inevitável entre o idealismo e o pragmatismo que uns superam assumindo ou um ou outro. Marlon quer ficar no intervalo. Tipo: é virgem só que morou no Rio.

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