Ponto Cartesiano
14 Mar 2018 - 07h18m

Matéria atrai matéria: aplicações do Previpalmas no Cais Mauá financiarão também um shopping center como prevê o projeto do empreendimento

Dando razão ao princípio físico de que matéria atrai matéria e que quanto maior a massa, maior a atração, o Cais Mauá onde o Previpalmas depositou R$ 50 milhões  (R$ 30 milhões diretamente e R$ 20 milhões de forma indireta na Tercon que tem 80% no REAG que assumiu o fundo Cais Mauá que ficou com os investimentos da Icla/Porcão). Pois é,  esse Cais Mauá tem no projeto a instalação de um Shopping. O projeto previa um centro de compras em espaço fechado, mas o consórcio anunciou no último dia 1º de março que o shopping será a céu aberto!!!

Ainda que o prefeito Carlos Amastha fundamente sua base argumentativa no não conhecimento dos investimentos (disse que teria sido enganado) e mesmo que fosse verossímel a versão de que os diretores por ele nomeados tivessem mandado uma TED de  R$ 50 milhoes do Previpalmas, depositados em bancos oficiais, para os fundos temerários em percentuais acima do permitido pela legislação, a correlação é inevitável: Amastha, ex-dono, de forma legítima e legal, de shopping no Sul do país  e na Capital (onde encontra resistência para construir um shopping a céu aberto) teria sido, por obra do destino, levado a se defender de uma aplicação temerária de fundos de aposentados (dinheiro público) na construção de um shopping privado em outro Estado.

É uma equação difícil de ser solucionada. Especialmente em ano eleitoral. Primeiro porque não pode, legalmente, por sua própria vontade, ter de volta os R$ 50 milhões em função do contrato assinado pelo Previpalmas com os fundos. Só pode resgatar no fim do termo. Segundo: para o Previpalmas enquadrar-se (já foi notificado do desenquadramento pelo MPS) resta aos fundos  investidos captarem mais recursos para que as aplicações do Previpalmas representem 5% dos ativos (hoje são de 15% e 45% nos dois fundos) o que significa conseguir no mercado algo em torno de R$ 750 milhões com esta confusão toda. Só assim (ou por força de ordem judicial) a prefeitura poderá ter de volta o CRP que, hoje, já é dado como certo que ficará sem no dia 21 de abril de 2018 quando vence a validade da certidão que Amastha tem em mãos e que entregará à vice, Cíntia Ribeiro.

Tendo-se Carlos Amastha como um empresário inteligente e com ativos suficientes para impulsioná-lo na pretensão de disputar um governo de Estado, o amadorismo das aplicações é surpreendente. Mais ainda levando-se em conta o referencial do Igeprev que o próprio Amastha utiliza para dizer-se o novo contra o velho.

Só mesmo uma crença na não resistência e no não funcionamento das instituições, na letargia da população ou na certeza da falta de consequências práticas de uma oposição às medidas, para justificar a aposta de risco que endossou, seja direta ou indiretamente, dada a imediata e direta responsabilidade do Chefe do Executivo municipal sobre a administração do fundo de que o orçamento público, pela lei, é o fiador.

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