Ponto Cartesiano
14 Mar 2018 - 07h18m

Musafir sangra no Rio e no Tocantins, mas Palácio o mantém no cargo, apesar do caos na saúde, das denúncias de irregularidades e do calendário

Marcelo Miranda faria um bem à sua campanha de reeleição se acordasse com o secretário da Saúde, Marcus Musafir, sua saída do governo. Musafir é, como notório, um instrumento político do governo e cumpre um papel que extrapola a obrigação de cuidar de doentes. É no Estado como o foi no Rio de Janeiro, daí, entende-se, seu couro grosso e a resistência do Palácio Araguaia em substituí-lo.

Não é para qualquer um, afinal, a tarefa que desempenha para Marcelo Miranda e companhia. Um orçamento de R$ 1,5 bilhão (2018) que não consegue produzir efeito nas suas finalidades e um rosário de irregularidades nas licitações (ou falta delas) que administra sem alterar-se no ânimo ou no seu princípio lógico.

Ocorre que as denúncias no Rio de Janeiro, a esta altura do calendário eleitoral, concorrem diretamente para relacioná-lo as situações semelhantes no Tocantins. Ainda que Musafir tenha sua defesa (não foi condenado, diga-se, é apenas acusado) contamina a administração de Marcelo no momento em que seus adversários minguam sozinhos.

E que se note: Musafir tem sido acusado por Ministério Público Eleitoral, Federal, Defensoria Pública, Justiça e não se viu, até aqui, qualquer defesa de Marcelo Miranda ou de deputados governistas. Seja das acusações de que é obrigado a defender-se por decisões de governo ou por suas próprias decisões que terminam representando a mesma vontade palaciana.

É situação que termina por impor o raciocínio de que Musafir não seria Musafir. E sim o grupo que o empregou no governo. Como o atendimento na rede pública é ineficiente, precário e escandalosamente ruim, apesar do orçamento bilionário (gasta-se muito acima do determinado pela Constituição), tem-se que o governo (ou o grupo do governo que sustenta a situação) ganharia mais com ele que sem o seu concurso. Do outro lado ter-se-ia, pela mesma lógica, os perdedores: os pacientes submetidos a essa razão perversa. Mais nítida, por certo, quanto mais decorre o calendário eleitoral.

Deixe seu comentário:

© 2015 - luizarmando.com.br - Todos os direitos reservados.