Ponto Cartesiano
17 Fev 2018 - 08h25m

No que enxergam retrocesso, leio apenas cumprimento da Constituição e um estratagema de Michel Temer

Muita gente criticando a intervenção no Rio de Janeiro. Uns dão ao fato um retrocesso posto deixar um Estado sob o comando das forças militares. Fazem um paralelo imponderável e distorcido com as revoluções militares (desde a ditadura Vargas, Estado novo, revolta tenentista, à revolução de 64).

Um raciocínio raso e sem fundamento. Se a intervenção é uma previsão constitucional, oriunda de uma constituinte democrática, como seria anti-democrático, como sugerem as teses, a sua aplicação? Uma impossibilidade lógica, um contorcionismo retórico insustentável.

É mais plausível supor que Michel Temer tenha encontrado na intervenção (que era necessária dada a falência e ineficiência das forças de segurança carioca e fluminense para enfrentar a criminalidade) uma forma inteligente de mandar para as gavetas a reforma da Previdência e as duplicatas que assinou com parlamentares para aprova-la.

Isto porque durante a intervenção a Constituição não permite apreciação de Emendas Constitucionais. Aliás, risível a argumentação palaciana de que, caso sejam garantidos os votos para a apreciação da reforma, ele suspenderia a intervenção, mandando, claro, os militares de volta aos quartéis por algumas horas....

Uma argumentação que aparenta mais uma justificativa ao mercado e empresários, os patrocinadores de fato da reforma da Previdência como o foram na reforma trabalhista.

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