Ponto Cartesiano
12 Jun 2018 - 17h43m

Promessa de alinhamento faz policiais civis cabos eleitorais de Carlesse. Mimo custará a Estado R$ 218 milhões/ano e retroativos de R$ 301 milhões

Os policiais civis estão nas ruas em defesa de Mauro Carlesse. Motivos: o governo (como apurou este blog) já teria acertado com as lideranças da categoria implementar a paridade na Polícia Civil. Aquelas Leis 2852/2853/2882/2014 criadas por Sandoval Cardoso e que levou os mesmos policiais a pedirem votos para o ex-governador do mandato tampão eleito pelo voto indireto. Já estaria tudo acertado para uma audiência de conciliação.

A Justiça há havia concedido liminar no ano passado suspendendo os efeitos desta lei. Por motivos óbvios: num único dia percorreram as comissões, procuradoria, foram votadas, sancionadas e publicadas no Diário Oficial.  Isto tudo aí sem previsão no orçamento de 2014 (quando foram promulgadas). Mas para eles, governo, deputados e policiais não era mais importante que o voto em Sandoval.

Além disso, o alinhamento significava um reajuste de 106%, com um impacto anual de R$ 218,8 milhões mais os retroativos que somariam R$ 301,4 milhões. Não que os policiais não tenham direito, mas o Estado está literalmente quebrado. O reajuste pode precipitar o parcelamento de salários, dada a inexistência de orçamento e de financeiro. Podem refutar o blog, enxovalhar o blogueiro, mas não conseguirão eliminar as reuniões e o teor do que nelas se discute, informadas pelos próprios participantes. Um direito,  lógico. Mas que vai de encontro (e não ao encontro) de outros direitos.

O Estado, como é notório, está quebrado. Já consome 58,22% de suas receitas correntes líquidas com salários (o máximo permitido é 49%). Se considerarmos as despesas brutas com salários, esse gasto supera os 73% das receitas com pagamento de servidores. Já projeta um déficit primário de R$ 684 milhões. Um valor 44% superior ao déficit de R$ 454 milhões previsto no orçamento de 2018.

Uma insanidade. O plano é forçar uma audiência de conciliação para forçar o governo pagar o reajuste de 106%. Com ele, agentes de polícia, papiloscopistas, escrivães e agentes de necrotomia passariam a ganhar salários da ordem de R$ 12 mil e 500. O Estado fecharia o acordo com a categoria e começaria a pagar. Mensagens de zap a que este blog teve acesso demonstram de forma inequívoca a estratégia.

Numa delas o presidente do Sinpol, Ubiratan Rebello (como se lhes atribui as mensagens), tranquilizaria sua turma: “Vamos confiantes...Esta (sic) tudo pronto e certo.... Não faremos nada que inviabilize nossos próprios direitos e os de quase dois mil pais e maes (sic) de família. Temos responsabilidade com vcs, a categoria da PC”.

A mensagem tem sentido: Ubiratan foi eleito presidente do Sinpol com o apoio maciço do MDB e do governo Marcelo Miranda que hoje apoia Vicentinho Alves contra Mauro Carlesse.

O grau de irresponsabilidade do governo para eleger Mauro Carlesse não tem limites. Da mesma forma que é desmedido o uso do cargo público, por parte dos servidores, para aumentar seus ganhos. Uma inversão de valores não regrada que termina fazendo-os de vítimas sociais quando são, na verdade, uma casta: ganham um dos maiores salários do país, tem plano de saúde bancado em sua maior fatia pelo governo e se aposentam com o salário da ativa, também bancado em sua maioria pelo poder público: contribuinte.

Deixe seu comentário:

6 Comentário(s)

  • Ubiratan de Oliveira Negry | 12/06/2018 | 19:40Luizamandocosta você deveria ter agido com mais profissionalismo, quando se referiu a Lei criada por Sandoval Cardoso, referente a categoria Polícia Civil, por você não citou também a dos defensores públicos e da secretaria da fazenda, também foram criadas no governo de Sandoval, bem após a da Polícia Civil.
  • Robson Leonardo | 12/06/2018 | 15:25Que você é contra o governo e favor de alguém já é nítido só pelo seu texto, porém chamar de casta os servidores públicos, que são aqueles que mais sofre juntamente com o povo humilde por causa das mazelas do governo aí já é uma tapa na cara da sociedade que é o servidor público, não sei se vossa senhoria sabe mais esse salário do servidor público e gasta na sociedade tocantinense, ou seja ajuda e movimentar o mercado e gera inúmeros empregos, agora o senhor vim falar que os polícias são casta, kkkkkkkk, parece até blog esquerda falando mal do Temer, os mesmos que elegeram ele como vice, ainda vem dar um de vítima dizem que pode refutar e enxovalhar o blogueiro. Aqui quem escreve é um servidor público que ganha menos de 2.300 líquido para sustentar minha família, mulher e filho, que passo noites fora de casa, deixando minha família só e cuidando para que nada aconteca de mal com a sua família, obrigado blogueiro isentão.
  • Josefer | 12/06/2018 | 12:13Q vergonha!! São pior que prostitutas, esses civies.
  • ATILA FERREIRA | 12/06/2018 | 08:53Bom dia Sem delongas, como sempre, infelizmente o blogueiro sempre se coloca do lado oposto ao dos servidores da Policia Civil, desde 2014 é costumeiro ver abordagens tendenciosas que prejudiquem ainda mais a categoria. O que estamos buscando é o implemento de um direito conquistado em 2014. A hipocrisia toma de conta desse tema, por vez diz que a policia tem que ser bem remunerada pois ganha mal para sacrificar sua vida em defesa dos Tocantinenses mas quando se tem uma conquista (tolhida em 2015) uma enxurrada de argumentos vem para destruir homens e mulheres da nossa saudosa PCTO. FELIZ É A SOCIEDADE QUE O POLICIAL LUTA POR REMUNERAÇÃO DIGNA PARA NÃO DEPENDER DE DINHEIRO SUJO DE CORRUPÇÃO!
  • FAUSTO HUMBERTO | 12/06/2018 | 08:36Engraçado o mentiroso Marcelo Miranda que tinha a palavra de que não iria prejudicar as conquistas de nenhuma classe, mas mentiroso como é não cumpriu, e agora outro gestor assume e quer honrar direitos conquistados vem um safado com blog politico com clara intensão de prejudicar e não de informar, merda igual aos políticos que ele representa.
  • Francisco | 12/06/2018 | 08:33Caro Luiz, é estranho está matéria em pleno período eleitoral e mais ainda contra uma Lei já consideranda constitucional por unanimidade no TJTO, e das três Leis q vc fala q os transmites foram rápidos, q são a Lei da Defensoria pública, dos auditores e a da PC, apenas a da PC n foi implementada. Será q vc n ver injustiça com a PC. Agr se existe uma luz de chance de implementação, pq n correr atrás? E pq essas críticas exatamente contra a Lei da PC? pq n fazer todo uma análise das três Leis e falar a vdd. Me desculpa Luiz Armando, se o estado está quebrado, n foi a PC, mas um conjunto de ingerência de seus gestores nos seus mandatos. Agr se é um direito dos PC, pq eles n correrem atrás e batalhar para conquistar tal Direito q foi digamos, oprimido pela gestão anterior. Acho estranho vim a tona esses assuntos, logo neste momento e, se viesse, poderia ser apoiando e reconhecendo a importância e o merecimento dessa tão importante instituição para o estado do Tocantins que são os PC. Tenho achado estranho essa implicação só com a implantação da Lei da PC, pois as já citadas anteriormente, foram implementadas e ninguém fez nenhuma matéria sobre o assunto. Outra, essa implantação da PC era gradativa q começava em 2015 a 2018. Porém a gestão n fez o dever de casa e por meio.de secreto suspendeu seus efeitos. Quero deixar claro q n sou advogado da PC n, mas sou sensato. Todo dia a gente ver dinheiro indo pelo ralo através da corrupção e um direito de uma classe n pode ser implementada, pq todo mundo fica com olho grande e falando estas coisas logo em período eleitoral. Isso é muito estranho, repito.
© 2015 - luizarmando.com.br - Todos os direitos reservados.