Ponto Cartesiano
10 Jul 2018 - 08h56m

Quando se pensa que governo vai governar, governador abre nova campanha. "Governo agora é do povo!!" diz Carlesse expandido pela Secom

Pelo discurso de posse e reverberação da Secretaria de Comunicação (em comunicados oficiais), Mauro Carlesse assumiu definitivamente o governo sem entretanto deixar os palanques. Uma provocação à oposição e, ao mesmo tempo, negação do seu próprio discurso. Pode perder, pela estratégia, oportunidade de firmar-se como líder que busca a população compreender.

Evidente que o próprio governo expandir através da Secretaria de Comunicação que o governo agora é do povo deu sequência à estratégia ilegítima mantida pelos marqueteiros. Nada de ilegal no discurso, mas combinado com o uso de órgão público, os comunicados oficiais mudam de figura a situação. Até porque está-se a dez dias do prazo de convenções para outubro.

Discursar na posse que o governo agora é do povo, Carlesse está a dizer que antes não o era. Uma falácia. Até porque remete a anos em que, ele, Carlesse, buscava, legitima e legalmente, aumentar o seu patrimônio pessoal. Ou: longe das necessidades da população.

Aliás, Carlesse se movimenta como uma marionete manejada por fatos e votos. No discurso tranquilizou os servidores de que não haverá demissão, uma posição diametralmente oposta àquela de quando assumiu o governo interino quando demitiu e contratou.

Agora, entretanto, a situação piorou. O governo (todos os poderes) se aproxima dos 100% da receita corrente líquida nos gastos com servidores. É a pior situação entre as 27 unidades federativas do Brasil. Teria que cortar despesas de pessoal e elevar receitas.

E o que fez Carlesse e os deputados na semana passada: aumentaram as despesas com servidores (aprovaram MPs da correção salarial de todos os poderes) e renúncias fiscais num Estado que já abre mão de R$ 1 bilhão de impostos por ano.

No mundo real, o governo federal (Banco Central) calibrou, novamente, ontem, a estimativa de expansão do PIB no país, de 2,50% para 1,9%. Uma queda de24%. Como o governo do Estado projetou o orçamento de R$ 10,7 bilhões de 2018 calculando sobre uma estimativa de crescimento do PIB nacional de 2,50%, é possível calcular que o Estado terá uma frustração de receita da ordem de R$ 2,5 bilhões.

De tudo isso aí uma curiosidade: o que teria provocado a queda no PIB foi a greve dos caminhoneiros, defendida publicamente por Mauro Carlesse, não se furtando em expandir, pela mesma Secretaria de Comunicação, nota oficial do governo em seu apoio.

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