Ponto Cartesiano
14 Mai 2018 - 06h37m

Rombo do Igeprev é mais que o dobro da média nacional nos últimos 12 anos: despesas cresceram 218% reais contra 73% da economia

Enquanto candidatos disputam as eleições suplementares num  pleito que pode custar aos cofres públicos R$ 15 milhões por turno e a população é apresentada a seus patrimônios milionários erguidos num Estado de 850 mil pobres e extremamente pobres (55% da população/Banco Mundial/2018), discutia-se em fórum na cidade de São Paulo este final de semana a situação quase de calamidade dos governos com suas previdências (por aqui o Igeprev).

Na avaliação dos técnicos da FGV, o problema dos regimes de previdência dos Estados seria mais grave que a situação do INSS. Nos últimos 12 anos (2005/2017), as despesas desses regimes cresceram 111% reais (acima da inflação). Por outro lado, o crescimento da economia no mesmo período não teria passado de 28%.

Voce  acha um escândalo essa diferença entre despesa, receita, inflação e economia nos Estados? Pois é. E o que somos e temos?

No Estado do Tocantins a despesa previdenciária do governo com o Igeprev (2005 a 2017) cresceu escandalosos 289%. Ou seja, 218% reais (acima dos 71% da inflaçao do período).Ou 107 pontos percentuais que a média nacional. Ou ainda 96,3% acima do país. Ela passou de R$ 137 milhoes em 2005 para R$ 671 milhoes em 2017,conforme os balanços orçamentários do governo.

E a economia? Ora, o PIB do Estado em 2005 era de R$ 15 bilhões e hoje, conforme o IBGE, está na casa dos R$ 26 bilhões. Ou seja: enquanto o governo aumentava as despesas com aposentadorias e pensões à ordem de 218% reais, a economia (que gera os impostos) avançava apenas 73% nominais. Somente de janeiro de 2015 a fevereiro de 2018, as aposentadorias e pensões saltaram de R$ 26 milhões/mês para R$ 86 milhões/mês. Por aí se pode deduzir o buraco lá em dezembro de 2018.

As receitas. Estas deputados, governos e demais autoridades políticas não estão nem aí. Muito pelo contrário: priorizam o buraco já que não pagam as contribuições devidas, escolhem contratar comissionados (que não pagam contribuição) em detrimento de efetivos e dão bananas para o passivo atuarial de R$ 30 bilhões que o Igeprev já está alcançando.

Esta conta é do contribuinte porque, por lei, o governo é o fiador do Igeprev. Como aposentados e pensionistas não podem ficar sem o que tem como direito, o governo e deputados vão buscar essa grana no seu bolso, nos impostos. E você não viu candidato algum falando algo sério sobre isto.

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1 Comentário(s)

  • Seixas | 14/05/2018 | 08:02Os contratos temporários também contribuem para o INSS.
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