Ponto Cartesiano
06 Jul 2018 - 08h48m

Tudo leva a que oposição oficialize divisão nesta sexta pelo amadorismo da estratégia e conjunto de vaidades individuais em desfavor da aliança

São quatro cargos a serem disputados nas próximas eleições: governador, vice e dois senadores. Uma chapa terá, ainda, como instrumento de acomodação de forças políticas mais dois suplentes de senadores, 24 cargos de deputados estaduais e 8 de deputados federais.  

A legislação, entretanto, limita, em coligações, o número de candidatos: até no máximo 200% do número de deputado federal (oito) e dos deputados estaduais (24). Ou seja, uma coligação pode dispor de 16 vagas para federal e 48 para estadual. Isto aí é o que a oposição tem para formar uma chapa.

Digo isto porque, em negociações do tipo, um pretenso candidato a senador ou governador, vice ou suplente, pode ser rebaixado para deputado federal, levando um federal para estadual e assim por diante. É assim que funciona nas composições.

As coligações, com efeito, facilitam a eleição de quem é mais conhecido (ou tenha mais recursos financeiros). Na eleição passada, todos os deputados federais do Estado, por exemplo, foram eleitos por coligações.  Nenhum teve votos suficientes para eleger-se sozinho.

Parcela da oposição a Mauro Carlesse tem encontro programado para esta sexta. A reunião parece ter sido esvaziada. Alguns dos interessados nos cargos majoritários informaram antecipadamente que mandarão representantes. Outros simplesmente disseram não comparecer.

Intui-se que uma oposição dentro da oposição refletindo a avaliação de que o encontro poderia ser utilizado pela senadora Kátia Abreu em benefício próprio, já que por ela provocado e marcado para sua residência.

E com um dado inquestionável: Vicentinho(22,22%), Carlos Amastha (21,41%),Kátia Abreu (15,66%) e Marlon Reis (9,91%) indicaria, a priori, uma ordem, ainda que se fizesse uso da argumentação favorável  sobre os 60% de não votos do segundo turno e os 30,31% (primeiro turno) e 75,14% (segundo turno) de Mauro Carlesse.

É possível a conclusão da mesma forma que caberia aos opositores dos opositores convencerem os demais sobre seus projetos. É assim que funciona nas democracias. Ademais, ainda que se possa dizer que queira fazer uso dos demais para alavancar sua pretensão, a Senadora, não se discute, deu o primeiro passo para que a oposição se encontrasse (ou se reencontrasse).

Os leitores do blog foram apresentados com antecedência às questões que poderiam provocar o esvaziamento do encontro. Uma reunião anunciada com uma semana de antecedência pela imprensa e com tantos interesses e vaidades em jogo.

Do outro lado do balcão, os aliados de Mauro Carlesse trabalham na desqualificação do movimento com argumentações fajutas: os adversários do Governador se quisessem ajudar a população, na tese, ao invés de discutir candidaturas e os seus projetos de governo, deveriam aliar-se ao Palácio.

Ou seja: um absolutismo onde não houvesse oposição e o governo pudesse fazer o que desse na telha sem resistência de quem pensasse diferente. E isto no calendário eleitoral que proíbe já a partir de amanha que candidatos a governo, com cargos na administração, participem de inaugurações, pronunciamentos em rádio, tvs e shows. E estão proibidos de contratar, nomear ou demitir servidores sem justa causa. Algo, evidentemente, que tanto a Polícia Federal como a Justiça Eleitoral suspeitam possam obter de Carlesse nas eleições normais, o mesmo tratamento que lhes deu o governador nas eleições suplementares.

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