Ponto Cartesiano
09 Ago 2018 - 01h40m

Vamos para o segundo dia de caminhada a Bonfim. Devemos chegar a Silvanópolis por volta das 16 horas. São 15 horas de jornada ladeira acima

Vamos para o segundo dia de Romaria. Esperamos alcançar Silvanópolis às 16 ou 17 horas saindo agora a 1 hora da madrugada. É um trecho que eu e Manuel conhecemos bem. Por aqui já passamos nos últimos cinco anos sempre no mesmo horário.

Na minha primeira romaria a Bonfim em 2010 consumi praticamente dois dias neste trecho de muitas subidas. Hoje o fazemos em 15 ou 16 horas. Quando o dia raiar já estaremos 30 km à frente. Ou seja, uns cinco quilômetros além do ribeirão Areias, após o trevo de Ipueiras que é quando o apoio nos encontra com café quentinho e pão com mortadela.

Ontem, o primeiro dia, a caminhada seguiu dentro da normalidade. Saí de Palmas por volta das 2 horas entrando em Porto Nacional às 13 para comer um chambari cozido por minha mãe no quintal onde me debruço debaixo de um pé de manga, numa rede, coloco os pés para cima e descanso.

Como sempre, problemas com motoristas que não respeitam pedestres. Durante a noite, pior ainda. Se nas ultrapassagens normais camioneiros jogam veículos menores para o acostamento, nós, a peça mais frágil no tráfego, somos empurrados do acostamento para o mato.

Pela primeira vez neste nove anos, um animal me acompanhou na  madruga por cerca de dois quilômetros. Não sei se tive medo ou não. Não se escutava cachorro latindo nem galo cantando, apesar de já estar próximo das 4 horas da madrugada.

Foquei a lanterna nos seus olhos vermelhos, busquei o centro da pista e segui. Achei ser onça, mas meu pai convenceu-se ser uma raposa. Ainda tenho dúvidas. Mas pareceu onça mesmo, tal uma que nos seguiu, a mim e ao meu então companheiro de jornal, Antonio, em 2010, já próximo de Silvanópolis.

Saindo de Palmas, logo próximo do ribeirão São Joao, encontrei-me com outro romeiro. Seguia de bicicleta de Palmas a Bonfim. Acompanhados dos pais dando-lhe apoio. Me ofereceram café e pão. De Palmas  a Porto Nacional caminho quase sempre sem apoio.

O meu suporte só vai me encontrar quando já estou a 15 km da cidade, por volta das 9 horas quando descanso no posto de combustíveis da curva. Dali a Porto, um retão de 15 km que levo três horas para percorrer no sol de quarenta graus. Já próximo de Porto, um oásis: o tubulão, um córrego de águas geladas na beira da estrada.

Ontem e hoje não foi possível escrever artigos sobre o que ocorre no Estado. Pretendo fazê-lo em Silvanópolis, cidade que já foi chamada de Estrema e também de Cornelandia. Mas me surpreendeu o tratamento dado ao vereador José Lago Folha Filho, exposto com roupa de presidiário e liberado em seguida.

As fotos com o uniforme laranja, em plena campanha eleitoral quando o vereador é candidato, mereceria uma reação judicial do parlamentar. Evidente que uma exposição e um uso desnecessário, por parte da polícia, de tal expediente. Pior que o uso de algemas em pessoas que não resistem à ação judicial e policial.

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3 Comentário(s)

  • Antônio Luiz | 10/08/2018 | 11:25Bom dia, Luis Armando. Que Deus te abençoe em sua romaria. Concordo plenamente com você em relação aos episódios da PC. Está usando de uma força desproporcional. Nenhum dos investigados demonstraram resistência. Foram conduzidos como se já tivessem sido condenados. Reconheço o papel da PC em investigar e elucidar os fatos, agora, há muito excesso de autoridade.
  • Julio César Alexandre | 09/08/2018 | 19:07Não vejo a imprensa protestando quando é o Raimundinho da periferia. A Lei não mandou prender, seu status no momento da foto era o correto: presidiário.
  • Jubson | 09/08/2018 | 10:30Bom dia, quando vejo pessoas determinadas à aumentar sua fé, "acredito em dias melhores". Na quarta feira com fé em Deus estarei caminhando de Natividade até a Romaria. Sou um leitor fiel aos seus artigos. Boa caminhada e que Deus te Abençoe.
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