Ponto Cartesiano
13 Mar 2018 - 06h27m

Amastha se diz enganado no Previpalmas e pede investigação seis meses depois. Um avanço que não justifica investimentos ilegais de R$ 50 milhões.

O prefeito Carlos Amastha decidiu demitir o vice-presidente do Previpalmas, Fábio Martins. Assumiu o erro do fundo dos aposentados em vídeo que fez circular ontem. Mas foi seletivo: apontou o dedo para o Icla (ex-Porcao) e deixou de lado as aplicações do Tercon. Nos dois fundos, o Previpalmas tem investidos R$ 50 milhões.

Ambas as aplicações irregulares: acima do valor permitido pela legislação. Numa, a aplicação representa 15% do fundo investido, na outra escandalosos  45% quando a lei determina um limite máximo de 5%. Mas Amastha, em campanha ao governo, só assumiu o erro no fundo que deu um cano no Igeprev expondo os vícios do que denomina de política antiga que os fatos novos estão a resgatar.

É deveras interessante que se monte uma sindicância e peça aos vereadores que criem uma CPI, como sugeriu o prefeito. Ainda que uma CPI na Câmara dominada por vereadores aliados não vá dar em investigação séria. Apenas, como é lógico, fundamento ao prefeito que teria exigido investigação.  Aliás, pedido que já teria sido feito por um vereador de oposição, mas, evidentemente, não acatado pela maioria governista.

Amastha, entretanto, garantiu o retorno das aplicações no Cais Mauá porque teria recebido uma força do prefeito de Porto Alegre. Não explica evidentemente porque o fundo de previdência dos servidores da capital gaúcha não aplicou no Cais Mauá acima do permitido pela legislação, como o fez o Previpalmas (15%), três vezes o limite legal. Em obra que sequer se tem garantia de realização.

Outro questionamento que poder-se-ia levantar são os motivos pelos quais o prefeito deixou de lado a Tercon. Ali, o Previpalmas tem aplicações de R$ 20 milhoes, dez vezes o permitido pela legislação. E ainda: porque cerca de 80% das duas aplicações do Previpalmas foram parar, por vias transversais, na REAG que não estava aprovada sequer em ata quando a Previpalmas fez a aplicação.

O prefeito, pelo que parece, sentiu o cheiro de queimado. Está sob pressão da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas do Estado por suas próprias decisões e escolhas. Não sem razão. As aplicações de R$ 30 milhões no Icla/ex-Porcão e R$ 20 milhões no Tercon estão ilegais. Por isto a prefeitura vai ficar sem CRP.

 A diretoria do Previpalmas foi nomeada por Carlos Amastha e foi ela quem aplicou os recursos sem consultar o conselho de investimentos. Não é plausível que diretores nomeados por Amastha aplicassem R$ 50 milhões de recursos do Previpalmas em ano eleitoral, de forma  ilegal, uma bomba política, sem informar isto ao prefeito. Pode ser possível, mas pouco provável.

Amastha se diz enganado num reducionismo digno de registro. Tanto pela seletividade como pelo non sense. No raciocínio, abre-se a dúvida à população do Estado afinal um prefeito que deixa-se enganar numa movimentação de R$ 50 milhões de recursos públicos não é o que se poderia esperar de um gestor que briga para administrar algo próximo de R$ 11 bilhões.

 

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2 Comentário(s)

  • JOSÉ ROBERTO BARBOSA | 13/03/2018 | 08:42Conversa para boi dormir, se a Secretaria de Finanaças e a gestão de palmas deixasse o @PODERIO que se acham que teem em nosso Instituto, os nossos recursos previdenciarios não estariam em riscos.
  • Salvem o Previpalmas | 13/03/2018 | 07:16‪Muito esclarecedor esse post, adiciono Qd o prefeito evidência a inidoneidade da icla, esquece q investiu na icla, abriu conta na icla, fez o ted de 30 milhões pra Icla, e o imperativo a Icla através de seus fundos é proprietario de mais de 70% das cotas do FIP @caismauaoficial ‬
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