Ponto Cartesiano
10 Jul 2018 - 09h53m

Carlesse até aqui vai enterrando a oposição fazendo uso de estratégia simplória: incluindo e abraçando contra a retórica dos adversários

Mauro Carlesse transformou a oposição numa biruta. Fosse hoje, ganharia as eleições talvez até com maior número de votos.  É possível enxergar que Carlesse tenha sido apenas pragmático e tratado de forma civilizada e inclusiva setores da política tradicional. Pode ter feito uso de outras táticas menos ortodoxas, mas não se conseguiu, até aqui, comprová-las.

Há um rosário de inconsistências nas medidas que fez os deputados aprovarem no Legislativo e impôs ao Executivo, por força de suas deficiências (ou a mesma heterodoxia), mas tanto o Ministério Público, TCE como Judiciário não conseguiram barrá-lo. Seja pela demora ou inércia mesmo. Esperou o guarda apitar, não apitou, seguiu em frente.

Está claro que há diferença relevante entre cooptação e coalizão. Ambas, entretanto, permitidas na democracia. Caberia à oposição, apontar as inconsistências na forma de seu exercício, especialmente com o uso de recursos públicos. E mostrar, pragmaticamente, outra direção.

Não conseguiu, até agora, sair das altercações eleitorais. E aí fica o dito pelo não dito, entregando a Carlesse o papel de apenas mais uma vítima com o restante da população cujos algozes seriam os governos que não eram do povo, fundindo o novo governador eleito no próprio povo e que agora, com ele, teria o seu próprio governo.

A oposição, longe disso, segue cega e surda com sua estratégia exclusiva e excludente. Enquanto Carlesse acaricia, viu-se na semana passada uma disputa de egos que podem somar, no exercício dos cargos, uma carga adicional de problemas à população. Uma tática que a dividiu solenemente e em praça pública como comprova a dispersão na segunda-feira: partidos oposicionistas formando outra base por mandatos proporcionais.

Há, portanto, elementos a indicar que a população talvez queira mais carinho que retórica ou oratória. Mais inclusão que mandonismo patrimonialista. E ai a alegada falta de aptidão de Carlesse para falar em público (como lhe atribui a oposição) funcionaria como ativo e não passivo. Ou seja: Carlesse – ainda que se possa dizer seguir uma estratégia de marketing - está na dele e dando certo. Pelo menos do ponto de vista eleitoral.

A população, como é notório, não consegue ligar a falta de medicamentos e leitos nos hospitais à irresponsabilidade fiscal. E os servidores, pagando-lhes os salários e garantindo-lhe correções, não tem interesse no enxugamento das despesas. Pelo contrário. Tem uma certeza míope de que se faltar grana, o governo dá um jeito. Mesmo que esse jeito seja aumento de impostos. A oposiçao tem apenas 90 dias para mudar de estratégia.

 

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1 Comentário(s)

  • Adriana | 10/07/2018 | 12:49Por que não começar enxugando despesas , cortando os quase 25.000 contratos/comissionados. Não é justo q os servidores concursados paguem pela venda escancarada de cargos públicos( realizada por parlamentares, amigos, parentes, financiadores de campanha e etc...) Não é justo ficarmos sem nossos direitos em detrimento desses comissionados/contratados,desvios de dinheiro público. A mídia usa o servidor público concursado como bode expiatório , como forma de ,desviar os verdadeiros motivos no qual as finanças públicas se encontram caóticas. Quem contribui, e muito, é o nosso Legislativo com: isenções fiscais as empresas , não taxando os lucros e dividendos das mesmas e etc... Ao se fazer isso, passa a conta para o trabalhador arcar com todo custo, pois de onde sai tem que entrar. E de onde fica mais fácil assaltar? O trabalhador que, aceita calado ser chicoteado .
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