Nem sempre o senso comum encontra correspondência no racional mas o bom senso, regra geral, tem conexão com o racional ou lógico.

Fake-news (de presumíveis remetentes) bombaram nas redes sociais em Porto Nacional ontem pregando “ficha suja” do candidato do PTB, ex-prefeito Otoniel Andrade, líder das pesquisas de intenção de votos. E que, eleito, não tomaria posse.

Seria, por óbvio, uma lógica ilógica desse presuntivo senso comum eleitoral das redes sociais, um ficha suja com ficha limpa na justiça dada a inequívoca e indiscutível autorização da Justiça Eleitoral para o ex-prefeito candidatar-se por não enquadrar-se na Lei Complementar 135/2010.

A única lógica aí é que a “verdade alternativa” do ficha suja-ficha limpa favoreceria, caso entendida como verdadeira, as duas outras candidaturas no que prejudicaria Otoniel Andrade. Seria certamente motivo para provocação da Justiça Eleitoral.

Para não fugir à ilógica e irracionalidade obscurantista, entretanto, os dois candidatos (Ronivon Maciel e Joaquim Maia) no mesmo diapasão das fakes que em tese os favoreceriam, consumiram dois dias da última semana de campanha (anteontem e ontem) acusando-se mutuamente numa estratégia kamisase nas mesmas redes sociais.

Ronivon (que foi vice-prefeito de Joaquim Maia) acusando o prefeito (candidato à reeleição) de deixar diversas obras inacabadas, que haveria muitas coisas erradas dentro da prefeitura e sérios problemas a serem resolvidos imediatamente. Não parou por aí: destacou especialmente o nepotismo e favorecimento de grupos na administração de Maia.

O prefeito Joaquim Maia (também nas redes), ato contínuo, lembrou Ronivon de que ele teria ficado três anos e seis meses participando (como vice-prefeito) de todas as decisões da prefeitura, tendo até o seu apoio na sua candidatura a deputado estadual (há dois anos/2018). “Qual é mesmo a intenção desse cidadão que trai um projeto que foi legitimado pelas urnas em 2016”, indagou Maia.

Maia e Ronivon correm o risco de, mais que serem entendidos, compreendidos, na suas mensagens, pela população no que depõem de público: que haveria favorecimento de grupos, nepotismo e coisas erradas na prefeitura e que tivessem ignorado o compromisso com o projeto legitimado pelas urnas em 2016.

E não teriam motivos para enxergar o contrário. Afinal são os próprios que publicam o que acham um de outro. Invertendo, também, a lógica política que prega (pela razão) que bater para baixo é inócuo diante do fato que se quer derrubar é o de cima. Otoniel, por não ser parceiro da dupla na atual administração, seria, pela lógica, vértice de alteração para justamente mudar o que acusam-se Ronivon e Maia um do outro. Conclusão lógica pelas premissas colocadas.

O ex-prefeito Otoniel, o de cima, ganha, assim, de forma gratuita (e, intuo,inesperada), um presentão a uma semana das eleições: seus dois principais adversários se anulando nas acusações, no exercício físico de ação e reação de mesma intensidade e sentido contrário.O melhor dos céus para qualquer candidado ainda mais liderando pesquisas.

Otoniel tem motivos para dar gargalhadas afinal, liderando as pesquisas de intenção de votos, seus adversários denunciando-se  mutuamente tem mais veracidade do que retóricas de campanhas eleitorais.

Desempregam até os marqueteiros.

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