A sessão de ontem do Legislativo estadual foi uma eloquente demonstração da força que move os deputados no seu desvio de representação.
À cobrança do deputado Junior Geo (PSDB) do não pagamento de suas emendas destinadas à Polícia Militar, Fundação Pro-Rim e Apaes, a tropa de choque do governo exagerou.
O papagaio de que o parlamentar é credor (que vem sendo rolado desde o ano passado) é dinheiro de troco, considerada a movimentação do fundão das emendas: R$ 1,5 milhão.
Os deputados tem R$ 241 milhões este ano.
Como é público, os deputados celebram quase que diariamente com suas bases a liberação de emendas. E o governo também. Ainda que elas sejam uma obrigação do Executivo. Impositivas.
Mas tem a vontade política que pode justificar questões financeiras e fiscais, ainda que contrariando a execução orçamentária. Jogo jogado.
Mas ontem ao invés de defender o Legislativo (e o deputado), o presidente da Assembléia, Amélio Cayres, sequer deixou a mesa que presidia para fazer coro ao líder do governo na defesa do Palácio. E não do parlamentar.
E aí afundaram mais ainda o pé na jaca: relativizaram o valor da grana para a PM, deixaram de lado as Apaes e falaciaram que a grana dos shows (denunciado por Geo) não era bem assim. Iriam para o fundo das emendas.
Sugerindo que não fossem eles próprios os liberadores da grana. E para não perder a viagem, trocaram o todo pela parte, dando a entender que o parlamentar se referia aos shows das exposições agropecuárias.
E não aos “Grelos”, “Barões”, “Calcinhas Pretas”, “Natanzinhos”, “Evoneys” de todos os meses.
Basta dar uma olhadela na execução orçamentária da Secretaria de Turismo e da Cultura para ver qualidade e quantidade.
No dia em que concordaram com os vetos do Executivo a seus próprios autógrafos de lei que aprovaram.